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UNOESTE - Universidade do Oeste Paulista

Viscossuplementação é eficaz em cães com doença degenerativa

Publicado em 26 novembro 2015

A displasia coxofemoral em cães tem sido objeto de estudos científicos na busca de tratamento que possa proporcionar qualidade de vida animal. No Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciência Animal, vinculado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste, vem sendo desenvolvida uma série de pesquisas na área de fisiopatologia. A mais recente encontrou eficácia clínica no uso de viscossuplementação, com a administração intra-articular de derivados de ácido hialurônico. Portanto, o estudo inédito sugere, à classe médica veterinária, esse procedimento utilizado para a reposição de fluídos nas articulações, como alternativa viável de tratamento capaz de proporcionar qualidade de vida aos cães portadores dessa doença degenerativa.

A eficiência clínica ganha, ainda, maior relevância, no cenário nacional, pelo baixo custo; em especial, se comparado a outros países europeus e aos Estados Unidos, nos quais prevalece a opção cirúrgica, mediante a colocação de prótese. “O tratamento analgésico intra-articular consegue retardar o envelhecimento articular e melhora a vida do animal”, disse o médico Gabriel de Oliveira Lima Carapeba, ao fazer a defesa pública de sua dissertação nesta quinta-feira (26) em avaliação, perante banca examinadora, para obtenção do título de mestre em Ciência Animal. Na introdução do estudo apresentou a displasia como doença ortopédica de maior incidência na espécie canina; que provoca desenvolvimento anormal da articulação do quadril.

Conforme o autor da pesquisa, a displasia coxofemoral é uma patologia que acomete cães a partir dos seis meses de idade; e, por ser uma doença crônica, quanto mais velho fica o animal tanto maior são suas dificuldades em se movimentar, até mesmo em articular os próprios passos. Então, passa a maior parte do tempo parado, normalmente deitado. A vida sedentária resulta em ganho de peso, o que causa, ainda, maiores dificuldades. Diante dessa situação, o tratamento farmacológico é paliativo, voltado para o alívio da dor. O que se buscou com estudo foi comparar a eficácia clínica da viscossuplementação ao tratamento conservativo tradicional em cães com a doença; com a hipótese de que a viscossuplementação poderia apresentar efeitos superiores.

Com a vivência médica na área da recuperação física de humanos, Carapeba se amparou em ampla literatura para dar suporte científico ao experimento desenvolvido no Hospital Veterinário da Unoeste, parcialmente custeado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e com a orientação da Dra. Renata Navarro Cassu, que conduz a série de estudos sobre tratamento à displasia coxofemoral, amparada por essa conceituada agência de fomento à pesquisa. Pela metodologia empregada, seguindo alguns critérios de exclusão, de 22 cães conseguidos, mediante apelo dirigido aos próprios por veículos de comunicação, 15 foram selecionados e distribuídos aleatoriamente em dois grupos.

Um dos grupos recebeu o tratamento com a administração intra-articular de ácido hialurônico, na proporção de 5 mg por 10 kg. O outro grupo, classificado como controle, teve o tratamento com solução salina, variando de 0,5 ml a 1,0 ml, além do tratamento conservativo tradicional por via oral com condroprotetor (750-1000 mg, BID, 90 dias) e carprofeno (2,2 mg/kg BID, 15 dias). Os sinais clínicos da displasia coxofemoral foram avaliados de forma encoberta, antes do tratamento basal e aos 15, 30, 60 e 90 dias após a injeção intra-articular, por sistema de escore, pelo pesquisador; e também mediante questionários respondidos pelos proprietários dos cães, com o emprego do Breve Inventário de Dor Canina (BIDC) e do Indicador de Dor Crônica de Helsinque (IDCH).

Pelo inventário, baseada em notas, os proprietários fizerem apontamentos como os de descrição da dor do animal e da qualidade de vida nos últimos dias, seguindo uma classificação que vai de ruim a excelente. No outro protocolo avaliaram o animal em quesitos como: estado geral, ânimo, se brinca, se chora de dor, se anda, se trota, se galopa, se deita e se levanta da posição deitado, dentre outros. Em razão de controvérsias sobre o IDCH, por não ser o proprietário um técnico com capacidade avaliadora, o estudo confiou a um médico veterinário a avaliação sobre o comportamento dos animais em relação às dores, sendo os cães selecionados para o experimento portadores de displasia coxofemoral com graus D e E, classificada como moderada e severa, numa tabela que começa com a letra A e termina na E.

Então, os resultados encontrados e apresentados durante a defesa pública foram os seguintes: não houve diferença entre grupos em relação ao peso, sexo e grau de displasia; nenhum cão necessitou de tratamento analgésico adicional durante o período de avaliação; melhora clínica em 57,14% do grupo controle pelo BIDC; melhora de 100% do grupo que recebeu o tratamento intra-articular com ácido hialurônico (AH) pelo BIDC; pelo IDCH, a incidência de melhora clínica foi de 28,5% do controle e 50% do AH; melhora na qualidade de vida de 75% AH (muito boa a excelente) e 71% grupo controle (boa), com diferença estatística entre grupos (P=0,0335). “Conclui-se que ambos os tratamentos possibilitaram a redução dos sinais clínicos da displasia coxofemoral; contudo, melhores resultados foram alcançados nos cães tratados com ácido hialurônico por via intra-articular, o qual pode representar uma alternativa viável para cães com essa doença”, pontuou o autor do estudo.

Na banca avaliadora estiveram a orientadora e suas colegas doutoras Francis Lopes Pacagnelli e Lídia Mitsuko Matsubara, convidada da Unesp em Araçatuba

. Foram positivas as considerações sobre o trabalho científico, inclusive com a sugestão de, numa perspectiva futura de doutorado, associar o tratamento analgésico intra-articular, com treinamento físico para fortalecer a musculatura, no sentido de prolongar os períodos do tratamento com a viscossuplementação, que precisa ser repetido a cada quatro meses. Aprovado, Gabriel de Oliveira Lima Carapeba passa a ostentar o título de mestre em Ciência Animal, outorgado pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste. A sessão de defesa pública foi prestigiada por estudantes e professores da área, por amigos, pela esposa do autor do estudo Bruna Melo Carapeba, pelos irmãos dele Murilo e Guilherme, e pela sua mãe Maria Regina de Oliveira Lima.