Notícia

Sulmix

Visão computacional faz diagnóstico precoce de doença da citricultura (1 notícias)

Publicado em 04 de março de 2006

Acaba de ser patenteada uma metodologia de visão computacional que faz o diagnóstico precoce da mancha preta em frutos cítricos. Desenvolvido no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP de São Carlos, o CitrusVis é um software que identifica o Guignardia Citricarpa, fungo causador da doença.
"O sistema pode reduzir o uso de agrotóxicos e evitar perdas na safra de laranja", afirma o professor do ICMC, Odemir Martinez Bruno, coordenador do projeto. "O CitrusVis identifica os ascósporos, forma embrionária do fungo, tão logo apareça no ar, antes de infectar o vegetal."
O programa interpreta imagens obtidas em amostras de partículas em suspensão nos pomares. "O pé de laranja pode estar infectado, mas as manchas negras nos frutos e folhas, principal sintoma da doença, levam até um ano para aparecer", relata o professor, ressaltando que nesse estágio os danos são irreversíveis.
As amostras das partículas são obtidas por um caça-esporos e recolhidas em discos. "Os ascósporos podem ser confundidos com outros fungos e substâncias diversas, assumindo formas diferentes conforme o modo em que caiam no coletor", lembra Bruno. "As imagens do disco são transferidas para o computador e o CitrusVis usa um padrão que combina metodologias matemáticas para transformar as formas em sinais e reconhecer o fungo com 97% de acerto."

Coleta
De acordo com o professor, o CitrusVis pode ser usado com qualquer sistema de coleta de partículas. "O programa realiza rapidamente a análise de cada disco, trabalho que consumiria duas ou mais horas, se realizado por especialistas", explica. "Dependendo do tamanho, um único pomar pode fornecer dezenas de discos por semana, o que inviabiliza o trabalho manual."
Segundo Bruno, "o conjunto com um microscópio munido de câmera, computador e o software do sistema custa cerca de US$ 5 mil, o que representa uma pequena fração do que um produtor normalmente gasta com agrotóxicos."
O CitrusVis, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), é uma derivação do projeto TreeVis (visão artificial aplicada à biotecnologia vegetal), iniciado há cinco anos no ICMC. "Os ascósporos chegam aos pomares com a chuva e o vento. Se o coletor de partículas for acoplado a uma estação meteorológica, é possível saber qual a origem dos fungos, estendendo a prevenção da mancha preta para outras propriedades", diz Bruno.
O projeto, realizado em colaboração com o pesquisador José Dalton Cruz Pessoa, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foi desenvolvido no trabalho de mestrado de Mário Augusto Pazoti no ICMC.(USP)