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Agência de Notícias da Aids

Vírus inofensivo a humanos pode reagir positivamente contra Aids e Hepatite C

Publicado em 07 agosto 2008

Por Lucas Bonanno

Na XVII Conferência Internacional de Aids no México, a bióloga brasileira Giovana L. Baggio-Zappia expõe a pessoas de várias partes do mundo sua pesquisa que, até o momento, demonstra uma tendência do vírus GBV-C em atrasar o início da Aids e da Hepatite C nos pacientes co-infectados. A infecção com um vírus inofensivo em humanos, o GBV-C, parece atrasar a progressão do HIV e melhorar a saúde das pessoas com Aids, apontam alguns estudos internacionais. Esta poderia ser uma das grandes novidades científicas da atualidade, mas trata-se de uma constatação já observada há cerca de 10 anos em um estudo coordenado pela equipe do pesquisador japonês Junko Hattori.

De lá para cá, vários estudo foram feitos nesta área e como alguns não mostraram nenhuma interferência do GBV-C na saúde das pessoas com HIV, pouco se avançou em estudos que poderiam comprovar esta relação, explica a bióloga e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo, Giovana L. Baggio-Zappia.

Com o objetivo de identificar o possível efeito benéfico do GBV-C, Baggio-Zappia e uma equipe de pesquisadores, coordenada pelo professor Dr. Celso F. H. Granato,estudam um grupo de pacientes que, além de terem o HIV e o GBV-C, também têm o HCV, vírus causador da Hepatite C.

Este estudo, que até o momento analisa 161 pacientes, foi apresentado quarta-feira (06/08) por Baggio-Zappia a pessoas de várias partes do mundo, durante a XVII Conferência Internacional de Aids no México.

Segundo ela, os dados obtidos até o momento demonstram que os pacientes com HIV e com o GBV-C, quando comparados com aqueles que têm apenas o vírus da Aids, apresentam uma tendência a ter melhores resultados da célula de defesa do organismo, o CD4, e controlam melhor a quantidade de cópias do HIV no sangue.

Além disso, a pesquisadora afirma que a maior parte dos pacientes com tri-infecção (HIV, HCV e GBV-C) apresenta menor grau de lesão hepática e menor carga viral do HCV, quando comparados aos pacientes que têm apenas o vírus da Aids e da Hepatite C.

Apesar de ressaltar que novos estudos deverão ser realizados para que se possa identificar se realmente existe um efeito benéfico do GBV-C nesses pacientes, a pesquisadora brasileira brinca: “Tem coelho neste mato.”

Caso seu estudo comprove a reação positiva do GBV-C, Baggio-Zappia acredita na criação de novos medicamentos contra a Aids e Hepatite C e não na possibilidade de infectar com o GBV-C aqueles que têm o HIV e o HCV.

“É antiético, e depois vírus é vírus. Ele pode sofrer alguma mutação e o que parece inofensivo, se tornaria mais nocivo”, comentou. Este inovador estudo brasileiro, que começou em 2005 e deve ir até 2009, é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) sob o registro 05/57611-5.