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Jornal GGN

Vírus gigante descoberto no Pantanal pode dar origem a novos medicamentos (32 notícias)

Publicado em 25 de setembro de 2025

Um grupo de pesquisadores identificou nas águas do rio Paraguai, no Pantanal, um novo vírus considerado o maior já descrito com cauda. O microrganismo foi batizado de Naiavírus e não oferece risco à saúde humana. Pelo contrário: pode até abrir caminhos para a produção de novos medicamentos.

Com cerca de 1.350 nanômetros (nm) de comprimento — enquanto os vírus comuns medem entre 20 e 200 nm —, o Naiavírus infecta apenas amebas e apresenta características singulares, a exemplo de um corpo recoberto por uma espécie de “manto” e uma cauda flexível, capaz de dobrar e se alongar, que funciona como uma ferramenta para alcançar e invadir suas hospedeiras.

Outro aspecto que chama atenção é o seu genoma, formado por quase 1 milhão de pares de bases de DNA. Grande parte dos genes não tem paralelo conhecido, e alguns apresentam funções antes atribuídas apenas a organismos complexos, como bactérias e células eucarióticas. Há ainda semelhanças com proteínas de plantas, o que sugere que o vírus pode guardar pistas sobre processos evolutivos ainda pouco compreendidos.

A descrição completa da descoberta foi publicada em 17 de setembro na revista Nature Communications.

De acordo com Otavio Thiemann, do IFSC-USP, as proteínas do Naiavírus têm origem em uma divergência muito antiga, próxima ao surgimento da vida na Terra. “Elas podem abrir portas inéditas de pesquisa e ser usadas para produzir fármacos e enzimas de interesse biotecnológico”, disse. “Além disso, podem contribuir para esclarecer questões fundamentais da biologia, como o processo de eucariogênese, a formação de núcleos em células eucarióticas primitivas.”

O vírus foi detectado após a análise de 439 amostras de água, até ser encontrado em uma coleta realizada no município de Porto Murtinho (MS).

A pesquisa foi coordenada por Jônatas Abrahão, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB-UFMG), com apoio da FAPESP. Também participaram cientistas da UFRJ, Unesp, Fiocruz, Virginia Tech (EUA), Instituto de Física de São Carlos da USP (IFSC-USP) e do Laboratório Nacional de Biociências do CNPEM.