Notícia

Gazeta Mercantil

Villares investe em tecnologia

Publicado em 03 dezembro 1999

Por Jorge Luiz Massaroto* - de Campinas
Pesquisadores do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Villares Metals S/A, de Sumaré (SP), deram o primeiro passo na revolução do processo siderúrgico no País. Um convênio de cooperação, assinado ontem, dá início ao projeto que prevê a aplicação de tochas de plasma na produção de aços de alta liga. O sistema é inédito no setor e tem como principal resultado um aço de melhor qualidade e a redução do consumo de energia. A Villares Metals produz 54 mil toneladas anuais de aço, que correspondem a 28% da produção do Grupo Villares, o qual a unidade de Sumaré pertence. O convênio é de três anos e consumirá cerca de RS 1,7 milhão. A maior parte dos recursos, cerca de R$ 900 mil, provém da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A Villares entra com RS 371 mil e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) patrocinará nove bolsas, no valor total de R$ 245 mil. O CNPq destinará mais R$ 232 mil para pesquisas. O processo que culminou no convênio levou quase dois anos. O acordo prevê o desenvolvimento da tecnologia de aquecimento por plasma no sistema de lingotamento que resulta nas barras de aço. O plasma, chamado de quarto estado da matéria, produz chamas de altíssima temperatura (de três mil a 70 mil graus centígrados) e é capaz de aquecer gases com elevado nível de eficiência. Utilizado por algumas indústrias siderúrgicas em países desenvolvidos, o processo resulta numa melhor qualidade do aço e permite diminuir o grau de superaquecimento inicial do metal, reduzindo o consumo de energia, aumentando a vida dos refratários, eletrodos e a produtividade. No projeto, serão estudadas as configurações da tocha e do distribuidor, e avaliados efeitos do plasma na qualidade do material produzido, além da economia no processo. De acordo com o professor do Instituto de Física e coordenador do projeto, Aruy Marotta, a tocha de plasma é um aparelho que administra a potência do raio. "O instrumento propicia a estabilidade da temperatura do aço com variação de apenas um grau centígrado", diz. Com base no controle da energia emanada pelo raio é possível usá-la na produção dos lingotes de aço. Marotta estuda desde 1980 as tochas de plasma e é tido como pioneiro no País. "A aplicação desta tecnologia no processo produtivo do aço resulta em maior produtividade, fácil controle e menor poluição ambiental", diz. Apesar de o convênio ter sido assinado ontem, a Unicamp vem aperfeiçoando o uso da tocha de plasma há vários anos. Diante dos estudos avançados, Marotta acredita que a partir de 2001 a Villares utilizará a tocha de plasma no seu sistema de produção. Celso Barbosa, gerente de tecnologia da unidade, acrescenta como outra vantagem a criação de novos produtos de melhor qualidade. "As indústrias no Brasil tem dificuldades em avançar nesta área e a tocha de plasma nos dará esta vantagem." Segundo Barbosa, ainda é cedo para prever a redução de custos na produção. "A partir da instalação efetiva da tocha é que teremos condições de quantificar esta economia", diz. O projeto é um dos mais importantes desenvolvidos pelo centro de pesquisa da empresa, instalado em Sumaré, em 1998. Desde sua criação, em 1976, o centro já conclui mais de 200 projetos e estudos, e teve 50 trabalhos publicados. Em 1998, a Villares destinou R$ 673 mil, cerca de 0,47% do faturamento bruto de produtos e serviços de aços de alta liga, em atividades de pesquisa. A unidade faturou US$ 100 milhões no ano passado. A empresa é líder no Hemisfério Sul no setor. A Villares Metals em Sumaré está instalada em uma área de 1 milhão de metros quadrados, sendo a área construída de 120 milímetros quadrados. Além do certificado ISO 9000, obtido em 1992, a empresa busca agora o certificado ISO 14000. *da GZM Planalto Paulista