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Gazeta de Pinheiros online

Vila Sônia apresenta maior número de casos da Covid-19; toda a região tem aumento

Publicado em 02 outubro 2020

Dados divulgados pela Prefeitura de São Paulo mostram que, na região, a Vila Sonia é a que mais apresenta casos de óbitos causados por Covid-19. O distrito, que pertence à Subprefeitura do Butantã, aponta alto número de casos, com 137 falecimentos desde o início da pandemia. Em seis meses de quarentena, a média fica em quase um óbito por dia no bairro.

Levantamento da Prefeitura aponta Pinheiros com 87 óbitos, Alto de Pinheiros, 61; Morumbi, 62; Butantã, 70 e Santo Amaro, 125 até o dia 18 de setembro. Segundo a Agência Fapesp, bairros onde a população pode permanecer em casa apresentam menos casos. A comparação com os últimos números divulgados apresenta um aumento.

Até o dia 31 de agosto, Pinheiros tinha 77 óbitos; Vila Sônia, 122; Alto de Pinheiros, 59; Morumbi, 56; Butantã, 63; e Santo Amaro, 121. Há bairros, porém, com números muito elevados, que demonstram a disparidade econômica e social. Ao lado de Santo Amaro, por exemplo, a Cidade Ademar já contabilizou quase 400 mortes. Sapopemba já ultrapassou 500 óbitos e Brasilândia tem mais de 400 óbitos por Covid-19 confirmados.

O padrão de mortalidade observado no estudo da FSP-Usp foi se modificando com o passar dos meses. Até meados de abril, o risco de morrer por complicações causadas pelo novo coronavírus era maior nos bairros paulistanos centrais e de maior poder aquisitivo. A tendência se inverte na semana epidemiológica de número 16 – de 12 a 18 de abril – e, a partir desse momento, ter um bom nível socioeconômico passou a ser um fator de proteção contra a doença.

Questionado sobre o tema, o vereador Gilberto Natalini comentou que “a pandemia escancarou nossa imensa desigualdade social. Urge medidas para maior equidade social no Brasil. A retomada econômica é importante, mas que sigam todos os protocolos de saúde, como uso de máscaras, lavar bem as mãos, uso do álcool em gel e distanciamento social. Por enquanto é a nossa única saída”, explica.

“Os trabalhadores essenciais, da área da saúde e de abastecimento, ou aqueles que precisaram trabalhar para manter a renda, como é o caso de muitas empregadas domésticas, estão mais expostos ao risco de morte ou de serem infectados. E a maior parte desses trabalhadores é usuária do transporte público”, diz Raquel Rolnik, uma das coordenadoras do Labcidade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (Fau-Usp).

Rolnik ressalta que a base de trabalhadores desse setor de serviços que está voltando a funcionar coincide com a base de trabalhadores que estavam se contaminando mais. “Estamos falando do mesmo grupo social que vai circular sem nenhuma medida adicional de proteção nesse trajeto da casa para o trabalho”, diz.

De acordo com a pesquisadora, o mapa com as áreas de maior contágio na cidade mostra algo perverso. “Aparece muito claramente uma divisão entre aqueles que ficaram em isolamento social e teletrabalho e os que precisaram sair para trabalhar para que outros pudessem ficar em isolamento”, diz.