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VII Fórum de Supervisores de Campo discute a família na atualidade

Publicado em 06 outubro 2011

As mudanças na estrutura familiar ocorridas nas últimas décadas, caracterizadas principalmente pela desigualdade na relação entre homem e mulher, a presença feminina no mercado de trabalho e as horas gastas com serviços domésticos foram debatidas no VII Fórum de Supervisores de Campo - Capacitação e Formação para o Assistente Social/Supervisor de Campo, no dia 27 de setembro, no campus Memorial da UNINOVE.

No evento, a consultora ad hoc da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e membro da revista Katálysis, Profa. Marta Campos, trouxe à tona a definição de um novo modelo de família contemporânea, em que a responsabilidade pelo cuidado de seus membros ainda é sustentada cultural e socialmente por ideias preconcebidas acerca do desempenho que o responsável pelos demais deve ter. No caso das mulheres, mesmo com o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e as mudanças nos padrões familiares brasileiros, a responsabilidade no cuidado dos afazeres domésticos continua predominantemente delas.

De acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 92% das mulheres que trabalham declaram cuidar da casa. A análise ainda mostra o quão distante está a divisão igualitária de tarefas: as mulheres gastam em média 25,2 horas semanais no trabalho não remunerado no lar, contra 9,8 horas dos homens.

Para Marta, apesar de as mulheres terem aumentado sua participação no mercado de trabalho, essa mudança não parece significar maior igualdade entre os gêneros no interior da família. Além disso, o modelo nuclear conjugal, como ideal de família, ainda preside o desenho de muitos programas sociais públicos e privados, dentro da orientação geral da política social brasileira, e fundamenta grande parte das orientações profissionais.

"A mãe, por exemplo, há muito tempo já não está disponível no papel que lhe foi tradicionalmente prescrito, mas na verdade se age como se ela ainda estivesse lá. Atualmente, a família assume centralidade para o desenvolvimento da política de assistência social numa perspectiva contraditória, em que se oferece proteção e se reconhece a variedade de experiências familiares, mas, em contrapartida, continua-se com o reforço da responsabilização pela educação e criação dos filhos, sem os apoios devidos da sociedade, além da gestão de problemas que extrapolam sua capacidade", afirmou a palestrante.

Este debate, de acordo com a coordenadora de Estágio do curso de Serviço Social, Viviane Patrício Delgado, proporciona a aproximação do aluno, do supervisor de campo e do supervisor acadêmico para a qualificação do estágio supervisionado curricular. "É um momento de formação profissional para o assistente social, pois depois do evento - que já está em sua sétima edição - os participantes saem revigorados, com o suporte teórico-metodológico fundamentais para repensar e reconstruir sua prática e para o estabelecimento de estratégias de intervenção", disse.

A oitava edição da iniciativa debaterá a atuação do assistente social no Sistema Único de Saúde (SUS), no dia 18 de outubro, às 14h, no auditório do campus Memorial da UNINOVE.