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Vidro especial pode ampliar o uso de discos compactos

Publicado em 10 abril 2003

Por Fabiana Pio
Dispor ao mercado brasileiro nos próximos dois anos discos compactos (CD) e DVD com capacidade de armazenamento bem superior à atual, e desenvolver produtos microscópicos para as áreas de segurança, saúde e militar, a partir de um vidro especial, são as principais metas dos pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara. "Somos a única equipe brasileira envolvida nesse tipo de pesquisa. Países como Estados Unidos e China já desenvolveram produtos a partir do vidro, denominado calcogeneto. Estamos estudando outro material dessa mesma família, que deverá custar 20% do preço do similar importado", diz Younes Messaddeq, professor e coordenador do grupo de materiais fotônicos do departamento de química geral e inorgânica do Instituto de Química da Unesp. O projeto, iniciado há quase dois anos, recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) de cerca de US$ 150 mil, e será finalizado em julho. Mas Messaddeq adianta que as pesquisas não serão interrompidas. "Temos parceria com a Rede Européia dos Materiais Amorfos e Calcogenetos, que envolve países como a França, Alemanha, Inglaterra, Romênia e República Checa. Continuaremos as pesquisas, e acredito que nos próximos dois anos já teremos produtos disponíveis no mercado", diz o pesquisador. PESQUISA A partir da união dos elementos gálio, germânio e enxofre foi obtido um calcogeneto — vidro especial que tem excelentes propriedades no nível nanométrico (tamanho dez mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo) para o registro de informações digitais e imagens fotográficas tridimensionais obtidas a partir do raio laser (holográficas). Segundo Messaddeq, o material desenvolvido pelo grupo é da mesma família do calcogeneto, mas tem capacidade superior de armazenamento que os materiais atualmente estudados por demais países. Hoje, um CD é desenvolvido a partir do polímero, que tem duração de até 15 anos e armazena cerca de 240 milhões de bytes, o equivalente a 300 mil páginas de texto em espaço duplo. Na Inglaterra já existe uma pequena empresa que está desenvolvendo CD e DVD a partir do calcogeneto. E o Japão já demonstrou o uso do DVD em câmeras digitais para gravação, em forma similar a uma fita de vídeo. Os calcogenetos possibilitam ao DVD maior estabilidade, melhor capacidade para gravar e regravar no mesmo disco e sensibilidade para o armazenamento de dados. De acordo com Messaddeq, esses novos produtos têm atualmente capacidade de armazenamento de 4,7 gigabytes. O objetivo dos países é chegar a 10 bilhões de bytes, 41 vezes superior à atual capacidade de armazenamento do CD desenvolvido a partir do polímero. Segundo o pesquisador Messaddeq, a partir do calcogeneto será possível também desenvolver microlentes com diâmetros similares ao fio de cabelo, que poderão ser colocadas em microfilmadoras para garantir a segurança do local. Poderão ser ainda criados microfios, semelhantes à fibra óptica, que poderão ser acoplados em equipamentos a laser para fazer cirurgias invasivas.