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Diário Digital (Portugal)

Vídeojogo concebido por físicos leva jogador ao universo das partículas subatómicas

Publicado em 22 dezembro 2014

Enquanto o Grande Colisionador de Hadrões (LHC, na sigla em inglês), maior acelerador de partículas do mundo, tenta recriar as condições surgidas logo após o Big Bang, crianças e adolescentes podem, no computador, capturar partículas subatómicas e utilizá-las para construir protões, neutrões e as bases atómicas de todo o universo. É o que propõe o jogo "Sprace Game 2.0", criado pelo São Paulo Research and Analysis Center (Sprace) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O jogo teve a sua mais recente versão desenvolvida com apoio da FAPESP através do Projecto Temático Centro de Pesquisa e Análise de São Paulo, colocando a experiência em pé de igualdade com a proporcionada por jogos comerciais.

"O visual, os desafios propostos e especialmente o conteúdo por trás das missões fazem com que o jogador se divirta enquanto entra em contacto com conceitos importantes da física das partículas subatômicas, grande objetivo da iniciativa", disse Sérgio Ferraz Novaes, coordenador do Sprace e professor do Instituto de Física Teórica da Unesp, à Agência FAPESP.

Reduzido na tela à escala subatômica, o jogador comanda uma nave miniaturizada e utiliza um campo de energia para apanhar quarks, as partículas subatômicas que formam os protões e neutrões – que, por sua vez, compõem o núcleo atômico. É uma jornada que leva os mais curiosos a entrar em contacto com a complexidade da estrutura da matéria.

"Os aceleradores de partículas permitem ampliar o nosso conhecimento sobre as estruturas da matéria e conhecer as partículas subatômicas, responsáveis pelas interacções forte, fraca e electromagnética", explicou Novaes.

Esses são os alvos do navegador subatômico no "Sprace Game", que é gratuito e cujo download está disponível na Internet. Na posse das partículas encontradas, o jogador precisa de levá-las para o laboratório para que sejam identificadas e ajudem a calibrar os sensores da nave, que adquire a capacidade de identificar novas partículas à distância.

Nas fases seguintes, a missão ganha mais complexidade: é preciso aprender a recombinar as partículas para construir protões e neutrões que, por sua vez, deverão ser utilizados para construir os núcleos atômicos, necessários à sustentação da vida.