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Horizonte Geográfico online

Vida no Mangue

Publicado em 20 março 2015

Por Gualter Pedrini

Manhã de inverno, nuvens carregadas. Antes de os primeiros raios de sol despontarem na praia, um grupo de biólogos destaca-se na paisagem de barcos abandonados e pescadores de mariscos. Com botas de neoprene, pás e sacos plásticos, coletam amostras do solo. A cena acontece no litoral norte de São Paulo, em um conjunto de quatro praias que formam a Baía do Araçá, entre as cidades de São Sebastião e Ilhabela. Com a maré baixa, a vazante revela estrelas-do-mar, crustáceos, moluscos e rochas que abrigam diversas espécies. É o lugar perfeito para os biólogos fazerem suas descobertas. 
As pesquisas integram o Biota Araçá, projeto em que atuam cerca de 170 pesquisadores de aproximadamente 30 instituições, com atividades que englobam áreas como física, química, biologia e ciências sociais. Criado em 2012, o projeto faz parte do programa Biota-Fapesp, que surgiu em 1999 com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), para inventariar espécies de animais, plantas e micro-organismos dos biomas paulistas e definir estratégias para sua conservação.

A história do Araçá

Até 1936, as árvores de mangue recobriam quase toda a Baía do Araçá. A construção do primeiro porto de São Sebastião, nesse ano, alterou a circulação das águas e provocou o assoreamento das praias em frente ao centro histórico. As expansões portuárias nas décadas seguintes retalharam a orla da baía, que hoje já não possui ligação com as demais praias do município. 
Várias tentativas para aterrar o restante da orla foram vetadas pela Secretaria do Meio Ambiente, graças à pressão popular. A defesa do mangue, no entanto, não impediu a instalação de um emissário submarino de esgoto pela Companhia de Saneamento.

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