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Vida de árvores na mata atlântica dependerá do clima

Publicado em 27 agosto 2013

Por Agências

SÃO PAULO - Caso se concretizem as projeções mais otimistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e a temperatura nas áreas com remanescentes de mata atlântica aumentar até dois graus Celsius, a distribuição geográfica das árvores desta floresta poderá ter redução de 30% em 2100. Se as estimativas mais pessimistas vingarem e o aquecimento atingir a casa dos quatro graus Celsius, tal redução poderá chegar a 65%, informa texto da agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O alerta foi feito por Carlos Joly, coordenador do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp) e pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB/Unicamp), durante o sexto encontro do Ciclo de Conferências 2013 do Biota Educação, realizado no dia 22 de julho na Fapesp, em São Paulo.

Os números vieram a partir de um levantamento iniciado em herbários. "Identificamos pelo menos 30 pontos de ocorrência exata de árvores da mata atlântica e, com isso, fizemos um mapa de onde elas ocorrem hoje em determinadas condições de temperatura, precipitação, tipo de solo e altitude", disse Joly.

Considerando os 30 pontos iniciais, o passo seguinte foi usar um algoritmo para calcular em que outros lugares haveria potencial para a ocorrência das espécies, o que deu origem a um segundo mapa. De acordo com o pesquisador, "isso nos permitiu dizer que determinada espécie é capaz de ocorrer em certa localidade, sob certas condições anuais de temperatura e precipitação". Em seguida, as projeções do IPCC permitiram traçar o panorama de 2100, considerando cenários mais e menos otimistas. "Estimamos que a porção nordeste dos remanescentes - onde a estimativa é que também haja redução significativa de chuvas - vá diminuir. E a distribuição geográfica das espécies ficará mais restrita a áreas como a Serra do Mar, onde a precipitação é garantida e o relevo impede que a temperatura suba demais", afirmou Joly.

Estoques de carbono

Outro tema abordado durante a conferência foi o monitoramento do carbono estocado na floresta atlântica paulista, em uma faixa equivalente a 14 campos de futebol entre Ubatuba e São Luís do Paraitinga. Desde 2005, pesquisas investigam os remanescentes de mata atlântica na região, inclusive no que diz respeito às trocas gasosas entre as plantas e o meio ambiente.

O acompanhamento é feito por meio de cintas de aço colocadas nos troncos das árvores - a medição do diâmetro, a cada dois anos, aponta quanto carbono vem sendo fixado por elas.

"Também monitoramos árvores que morrem e vão entrar em decomposição e plantas novas, que no último período verificado cresceram o bastante para entrar em nossa amostragem", afirmou Joly. Uma torre de 60 metros de altura, equipada com um grande conjunto de sensores, também mede o fluxo de trocas gasosas, além de radiação, chuva, vento, entre outros fatores. Os resultados obtidos até o momento apontam para a existência de grandes estoques de carbono, principalmente no solo das regiões mais altas, onde as temperaturas frias tornam o processo de decomposição mais lento e há acúmulo de serapilheira - camada fofa que se forma com folhas caídas no chão.

Nos próximos anos, o monitoramento na floresta atlântica paulista será comparado a estudos na floresta amazônica e em florestas da Malásia, em parceria com pesquisadores britânicos. Já se sabe que a floresta amazônica não acumula tanto carbono no solo como a atlântica e, nas medições anuais, estabelece trocas com a atmosfera que resultam em um balanço próximo a zero.

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