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Vice-presidente da SBPC é nomeada para a Academia de Ciências da América Latina

Publicado em 02 maio 2019

Por Vivian Costa | Jornal da Ciência

Vanderlan da Silva Bolzani se junta aos outros 222 membros da academia que tem sede em Caracas

Vanderlan da Silva Bolzani foi aceita como membro titular a Academia de Ciências da América Latina (Acal), por seu trabalho e contribuição para a ciência. Vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Bolzani é professora titular do Instituto de Química da Unesp em Araraquara e membro do Conselho Superior da Fapesp. Atua há quatro décadas na área de Química de Produtos Naturais – busca de substâncias bioativas; peptídeos de plantas, biossíntese de alcaloides piperidínicos e química medicinal de produtos naturais.

“Esse ano de 2019 tem sido de surpresas muito boas. Fico muito feliz por saber que fui indicada pelo professor Sergio Mascarenhas, grande cientista e nosso mestre dos mestres para a Acal. Fico feliz, por ver o reconhecimento da pesquisa que abracei ainda quando fazia mestrado e que me levou à paixão pelo que faço, e que acredito ser a minha contribuição para a ciência, reconhecida além de nossas fronteiras”, declarou Bolzani.

Ela também chamou a atenção para a importância de cientistas brasileiros serem reconhecidos fora do País, especialmente em um momento em que no Brasil a ciência enfrenta uma crise séria. “Acredito que as premiações e reconhecimentos internacionais impulsionam ainda mais nós, pesquisadores brasileiros, a trabalhar e contribuir com o nosso País, especialmente neste momento em que nossas universidades e os trabalhos que realizamos são pouco reconhecidos aqui. O reconhecimento desta Academia latino-americana me enche de energia e me recompensa. Nossos países têm muitas similaridades e acredito que, como acadêmica da Acal, poderei contribuir mais com os colegas desta região, somando forças na luta pela excelência e por um ambiente de CT&I robusto, essencial a qualquer nação que almeja soberania internacional e desenvolvimento. Temos muito que colaborar na área da educação, da ciência, tecnologia e inovação”, afirma.

Sediada em Caracas, na Venezuela, a Acal foi fundada em 1982 para homenagear a memória de Simón Bolívar por um grupo de pesquisadores científicos da América Latina. A instituição tem como objetivo promover o desenvolvimento da matemática, física, química, ciências da vida e da terra, visando aplicações em benefício e desenvolvimento da integração humana, cultural e social da América Latina e do Caribe. Mais informações sobre a Acal em http://acal-scientia.org.

Atualmente, a Acal conta com 222 membros da Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela. A Academia também possui membros correspondentes da Alemanha, Estados Unidos e França.

Biografia

Bolzani dedica-se há mais de 40 anos ao desenvolvimento de pesquisas em química de produtos naturais e química medicinal de produtos naturais. Formada em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1973 e doutora (1982) em química orgânica pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), a cientista tem uma extensa experiência em parcerias científicas internacionais: da Universidade Estadual da Virgínia (EUA), à Universidade de Queensland, Universidade de Manchester e a Université Pierre et Marie Curie, Paris VI, na França, onde foi professora visitante em 2011 e 2012. Entre 2008 e 2010 presidiu a Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e tornou-se a primeira mulher a exercer a presidência desta Sociedade. Desde 2015 é vice-presidente da SBPC, reeleita em 2017 por mais um mandato. Fellow da Royal Society of Chemistry desde 2009, tornou-se membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo em 2011.

Também recebeu as mais prestigiosas premiações na sua área: em 2011, foi outorgada com a Medalha Simão Mathias e com o prêmio Distinguished Woman in Science, da IUPAC/ACS. Em 2013 recebeu o prêmio Elsevier Capes 2013 e foi eleita para a World Academy of Science for Developing Countries, TWAS. Recebeu em 2015 o Prêmio Kurt Politzer de Inovação Tecnológica, categoria pesquisador, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Em 2017, foi agraciada com o prêmio “Professor Otto Gottlieb”, que reconhece pesquisadores brasileiros que se destacam pelas pesquisas realizadas na área de química de produtos naturais, com resultados que tenham impactado positivamente o desenvolvimento da área no Brasil e no exterior. Em março deste ano, a Sociedade Brasileira de Química (SBQ) criou seu primeiro prêmio dedicado a reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na química e/ou no fortalecimento da SBQ, e homenageou a cientista dando seu nome para a premiação. O Prêmio “Vanderlan da Silva Bolzani” será conferido pela primeira vez na 42ª Reunião Anual (de 27 a 30 de maio, em Joinville), e foi instituído pelo recém-criado Núcleo Mulheres SBQ.