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Folha da Região de Olímpia online

Viagem

Publicado em 18 março 2012

Com uma exposição permanente nas dependências do Memorial da América Latina, o Pavilhão da Criatividade reúne trabalhos artísticos de países latino-americanos, especialmente os com influência pré-colombiana, tais quais México, Peru, Equador, Guatemala e Bolívia / Rubens Chiri

O conjunto arquitetônico do Memorial da América Latina é um dos lugares de São Paulo mais procurados por turistas brasileiros e internacionais. Todos querem conhecer o que seu autor chamou de o "espetáculo da arquitetura". Quem chega por lá logo encontra de cara a "Mão", escultura de Oscar Niemeyer em cuja palma vemos o mapa da América Latina como que se esvaindo em sangue. É um emblema deste continente colonizado brutalmente e até hoje em luta por sua identidade e autonomia cultural, política e sócio-econômica.

Inaugurado em 18 de março de 1989, o Memorial da América Latina é uma Fundação de direito público, sem fins lucrativos, com o objetivo principal de difundir as manifestações latino-americanas de criatividade e saber, buscando o estreitamento das relações culturais, políticas, econômicas e sociais do Brasil com os demais países da América Latina.

Projetado e implantado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o Memorial da América Latina está instalado perto do centro de São Paulo, no bairro da Barra Funda. O projeto cultural foi idealizado pelo antropólogo e escritor Darcy Ribeiro, que propôs um papel importante ao Memorial: desenvolver no Brasil a consciência da integração e aprofundar a convivência e a amizade dos povos da América Latina.

O Memorial foi estruturado com órgãos e serviços para cumprir esta missão e vem fomentando todas as formas de expressão da identidade latino-americana e de incentivo à criatividade cultural;

coordenando iniciativas internacionais de interesse dos povos latino-americanos; mantendo um centro de informações básicas da realidade latino-americana através de uma biblioteca especializada; difundindo o conhecimento da história dos povos latino-americanos nos projetos de visitação escolar; incentivando a cooperação entre as instituições científicas, artísticas e educacionais do Brasil e de outros países ibero-americanos.

O Auditório "Simón Bolívar" tem capacidade para 1609 pessoas e é formado por duas plateias separadas pelo palco onde são apresentados espetáculos artísticos. Para funcionar como centro de convenções, na realização de congressos e seminários, há a opção para utilização de uma só plateia, com 876 lugares. O espaço já foi utilizado diversas vezes para recepcionar chefes de Estado, como o norte-americano Bill Clinton, o cubano Fidel Castro, o venezuelano Hugo Chaves, entre outros.

Vários projetos foram desenvolvidos pela Diretoria de Atividades Culturais e incluídos como programação artística permanente. Atualmente, os dois principais são: Projeto "Segundas no Memorial" e "Domingo Criança". O primeiro, sempre às segundas-feiras, às 20 horas, é destinado ao público jovem, especialmente às escolas públicas, que ligam e reservam lugares para classes inteiras. Apresentam-se no "Segundas no Memorial" espetáculos de música popular, teatro e dança.

 

Quanto ao "Domingo Criança", sempre às 11 horas do domingo, oferecem teatro infantil. Em ambos os projetos a entrada é franca.

Investindo na formação de público para a música erudita, o Memorial apresenta uma vez por mês concertos da Orquestra Jazz Sinfônica (no estilo das big bands, a orquestra traz sempre um convidado especial para acompanhá-la), a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, além de outros corpos musicais ligados ao Centro Musical Tom Jobim. Com a Jazz Sinfônica, já se apresentaram músicos como Tom Jobim, Edu Lobo, Zizi Possi, João Bosco, Zélia Duncan, Eugênia Melo e Castro e Caetano Veloso, entre muitos outros.

Outro lugar bastante interessante de se visitar é a Biblioteca Latino-Americana "Victor Civita".  Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a Biblioteca encontra-se em processo de modernização tecnológica e implantação de sistema de informática, que permitirá ao usuário o acesso rápido ao acervo local, bem como pôr em disponibilidade este acervo ao usuário externo, através da Internet.

O Salão de Atos é destinado, em dias especiais, a solenidades e recepções oficiais do governo do Estado de São Paulo, especialmente aquelas ligadas às questões do Continente. Nos dias comuns, está aberto ao público, que ali aprecia o Painel Tiradentes, de Cândido Portinari, além dos seis painéis heráldicos, em baixo relevo, criados por Poty e Caribé.

Já o Pavilhão da Criatividade Popular Darcy Ribeiro, possui uma exposição permanente de arte popular latino-americana que reúne, em especial, trabalhos dos países com forte influência das civilizações pré-colombianas: Bolívia, México, Guatemala, Peru e Equador. Abriga, também, uma exposição de arte popular brasileira, uma ala para exposições temporárias e um espaço para exibição de vídeo-documentários.

 

Em um pedaço do solo do Pavilhão, coberto por um vidro transparente, o público pode conhecer um pouco do folclore latino-americano. A dupla de artistas Gepp e Maia criou uma maquete da América Latina, utilizando material diverso em quase mil pequenas peças.

A Praça Cívica é um amplo espaço aberto, destinado ao encontro de multidão e manifestações culturais, onde se encontra também um dos símbolos do Memorial: a escultura "A Grande Mão", feita pelo arquiteto Oscar Niemeyer. A Praça é dividida em duas partes por uma avenida e unida por uma enorme passarela.

Tem também o Anexo dos Congressistas, espaço destinado a atividades acadêmicas, diplomáticas, encontros intelectuais, pequenas exposições e comemorações de datas nacionais.

A Fundação Memorial da América Latina inaugurou no dia 26 de março de 1998 a Galeria Marta Traba de Arte Latino-Americana, uma galeria de arte projetada por Oscar Niemeyer, com duas salas equipadas dentro dos padrões museológicos.

O Memorial da América Latina tem visitas monitoradas para grupo de turistas ou escolares podem agendar visitas guiadas, com antecedência. Neste passeio, os visitantes percorrem todos os espaços, acompanhados por monitores especializados, que enfocam os aspectos historiográficos, artísticos e culturais da América Latina.

Se você quer um banho de cultura latino-americana, o destino é o "Memorial da América Latina", na capital paulista.