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Veterinário orgânico

Publicado em 20 outubro 2015

A experiência das pessoas que trabalham em uma empresa produtora de carne de frango e ovos em um sistema de agricultura natural ou orgânica foi o tema da tese de doutorado vencedora na área de ciências ambientais do Prêmio Capes 2015. O médico veterinário Luiz Carlos Demattê Filho, autor da tese, diretor industrial da Korin Agropecuária e coordenador do Centro de Pesquisa Mokiti Okada (CPMO), mostrou o desenvolvimento ambiental, social e econômico dos produtores e colaboradores da empresa. Eles orientam seus trabalhos sob princípios de sustentabilidade em que, dentre uma série de diferenciações, os animais não recebem antibióticos, promotores do crescimento e quimioterápicos como nas granjas tradicionais.

“Abordei a multifuncionalidade da agricultura no sentido de esse setor não ser apenas um negócio, mas também um meio social, que preserva a natureza e a cultura de uma área agrícola”, diz Demattê, que concluiu o estudo em 2014, quando fez 51 anos de idade. Ele foi orientado pelo professor Paulo Eduardo Moruzzi Marques no Programa Interunidades de Pós-graduação em Ecologia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Ele explica que as granjas tradicionais de carne de frango e ovos não utilizam hormônios, e sim antibióticos e outros medicamentos na ração, para prevenir doenças e promover a engorda rápida dos animais.

Desde o tempo de faculdade, ele procurou sempre se envolver com métodos diferenciados de produção, incluindo a agricultura orgânica. Começou estudando medicina veterinária na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu. Formado em 1986, trabalhou como veterinário autônomo, em clínicas e haras, e foi professor na Universidade de Marília (Unimar), entre 1995 e 1997.

“Ministrei aulas de fisiologia da reprodução e obstetrícia na Unimar. Foi um período interessante, minha experiência prática já era grande e fazia sucesso com os alunos porque eu os tirava da sala para trabalhar no campo”, lembra. Entre 1994 e 1999, quando ainda dava aulas, ele trabalhou na Fundação Mokiti Okada para realizar estudos na área de métodos orgânicos na produção pecuária.

Em 2000, Demattê transferiu-se para a Korin e viu a necessidade de avançar nos estudos. Aos 38 anos entrou no mestrado na área de zootecnia na Unesp. Depois fez especialização em gestão empresarial na Fundação Getulio Vargas (FGV), em Campinas, sempre com foco na produção alternativa de frangos e ovos.

“Fui buscar conhecimento para melhorar a produtividade sem comprometer os ideais da empresa voltados para a produção natural, orgânica e de base agroecológica”, conta. O doutorado na USP teve uma parte realizada na Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Para ele, ainda faltam disciplinas nas universidades sobre agricultura orgânica, que possam formar profissionais para essa área em que as vendas, usando como exemplo a Korin, sobem de 20% a 25% ao ano.

FONTE: Revista Pesquisa Fapesp