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Diário Botucatu online

Veterinária da Unesp está entre os 50 melhores cursos do mundo

Publicado em 15 março 2017

Por Luciana Faria

“É um reconhecimento por aquilo que se fez e uma conquista baseando-se em mérito”, assim o professor Celso Antonio Rodrigues, diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp de Botucatu define a conquista do 47° lugar do curso de veterinária da universidade entre os melhores do mundo, de acordo com ranking feito pela consultoria britânica especializada em ensino superior QS (Quacquarelli Symonds) e divulgado na última terça-feira (7).

O órgão analisou, no total, 1.127 universidades, de 74 países, em 46 áreas de conhecimento. Além da veterinária, mais um curso da Unesp ficou entre os 50 melhores do mundo, o de odontologia, classificado em 33° lugar. O número de citações científicas, o impacto acadêmico, além da reputação entre as universidades e os empregadores são alguns dos quesitos avaliados pela QS para classificação no ranking.

O diretor da FMVZ expõe que não é a primeira vez que o curso de veterinária da Unesp é reconhecido pela consultoria internacional. “Os cursos de medicina veterinária da Unesp vêm ocupando uma posição de destaque desde 2014. Em 2014, foi o 45° [colocado no ranking]; em 2015, 46°; e agora, 47°. Então é uma variação de três posições, mas o importante é estar entre os 50, se é o quinto, o sexto ou o sétimo são pequenos detalhes”.

O professor Celso Antonio Rodrigues – que possui 11 anos de atuação no campus de veterinária de Jaboticabal e mais 15 no de Araçatuba, e está há sete no de Botucatu – ainda destaca o papel da FMVZ no êxito dessas classificações. “A FMVZ contribuiu bastante para isso, tem um histórico imenso e glorioso em tudo aquilo o que realiza e, sem dúvida nenhuma, a fração dela é grande, muito grande”, afirma. “Essa não é uma conquista do ano de 2017, é uma conquista dos 53 anos que se reflete no ano de 2017, ninguém consegue atingir uma posição como essa meramente em um ano. É uma dedicação de todas as pessoas que estão envolvidas na FMVZ, dos discentes, dos docentes e dos servidores”.

A exemplo, ele e o vice-diretor da FMVZ, professor Cezinande de Meira, destacam pioneirismos do campus de medicina veterinária da Unesp de Botucatu – e que serviram de exemplo para o ensino da profissão em outras escolas. “A nossa residência foi a primeira em medicina veterinária, no modelo nosso dividido por áreas, criada em 1973 [três anos antes da fundação da própria Unesp] e essa residência só vem evoluindo desde a criação. Os residentes trabalham junto ao hospital veterinário e tem uma relação bastante grande com o atendimento à comunidade e com o ensino da graduação”, destaca Meira.

O vice-diretor também ressalta a criação do quinto ano do curso como mais uma medida que começou na FMVZ. “Somos a única escola no país que tem o modelo de nove meses de estágio. No quinto ano, assim que termina o quarto ano do curso, o aluno sai para estágio externo, incluindo exterior, em clínicas, universidades, em todos os setores produtivos, fazendas, laboratórios e empresas”, explica Meira. “Esses nove meses computam 1.440 horas de estágio, o que nos dá uma diferenciação bastante grande na formação dos nossos alunos”, conclui o professor. “Nós temos hoje precisamente 52,4% de todo conteúdo do curso em atividades práticas”, completa Rodrigues. O professor Meira ainda garante que todo esse conjunto contribuiu para o curso estar entre os 50 melhores do mundo.

FMVZ aguarda acreditação do Conselho Federal de Veterinária

Outro destaque do curso de medicina veterinária da FMVZ é que foi o primeiro do país a passar pelo processo de Acreditação do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Em fevereiro, o campus recebeu a visita de representantes do órgão que tem por objetivo certificar publicamente a qualidade e a excelência do ensino médico veterinário nas instituições de ensino superior.

“A preocupação do conselho é em relação à qualidade do médico veterinário que está sendo formado e em função desse número de escolas grande que tem no país, 270, sendo um terço do total de escolas do mundo. Frente a isso está se realizando um projeto experimental de acreditação das escolas veterinárias pelo conselho envolvendo as escolas públicas e privadas”, explica o vice-diretor da FMVZ, Cezinande Meira.

Ele completa que em 2017 estão sendo avaliadas três escolas, a FMVZ e ainda mais duas privadas. “Nós compilamos toda a produção nossa, do ponto de vista de qualidade de ensino, a dimensão de infraestrutura, de pesquisa, de ensino, e enviamos ao conselho federal que avaliaram e fizeram a visita de quatro dias, não só avaliando material, mas a nossa condição de funcionamento, envolvendo a participação do aluno dentro do hospital veterinário, da fazenda, percentual de aulas práticas que administramos, e a partir desse momento foi feito um relatório e será submetido a uma plenária”, conclui o professor.

Veterinários são destaque no mercado

O diretor da FMVZ, professor Celso Antonio Rodrigues, ainda destaca o papel profissional que os veterinários formados pela faculdade desempenham depois da graduação – e que acreditam como importante para a atuação na área. “Nós temos uma avaliação de egressos em que 91,1% dos egressos avaliados dizem que a formação recebida durante a graduação foi adequada para o início da sua atividade profissional”, afirma Rodrigues.

Ele também completa que, desse total de egressos, 88,8% exercem a medicina veterinária. “Isso significa que o dinheiro público dispendido para formação desses alunos foi bem gasto, porque esses alunos estão exercendo a atividade profissional”, expõe. “O percentual de alunos que cursam as universidades públicas paulistas, de maneira geral, é 0,3%, é uma fração muito pequena, e esses indivíduos têm um custo caro, ensino de qualidade custa caro, então esses alunos estão mostrando e a FMVZ está mostrando que está formando bons profissionais, que estão inseridos no mercado, e esse é o objetivo fundamental da escola e o reflexo disso tudo é esta posição no ranking internacional”.

Hospital veterinário atende 22 mil casos por ano

O professor Celso Antonio Rodrigues ainda afirma que ações, principalmente em longo prazo, serão feitas para manter a qualidade do curso de medicina veterinária da FMVZ, mesmo com o orçamento apertado previsto para o ano. “A reitoria já enfatizou que haverá zero de investimento em 2017, então a ideia é tocarmos de uma maneira razoável tudo que está aí e finalizarmos o ano com uma perspectiva para 2018”.

Ele também reforça que o hospital veterinário da Unesp – que atende hoje cerca de 22 mil casos por ano – não recebe dinheiro para custeio. “Enquanto que no sistema público de saúde, de medicina, ainda há um recurso destinado via SUS e outros convênios, no caso do hospital veterinário não há nenhum tostão. Isso é importante que se esclareça à população para que ela entenda os procedimentos que temos que tornar aqui, se não a nossa unidade não consegue sobreviver”, afirma. “Então nosso objetivo é justamente oferecer alguns serviços à população, de qualidade, dentro das nossas atuais condições financeiras, que estão muito difíceis para 2017, mas temos fé. Estamos chegando com o maior ânimo do mundo, e acreditamos, vencemos outras crises e vamos vencer mais essa”.

Conquistas da FMVZ

Fundado há 53 anos, o curso de medicina veterinária é mais antigo que a própria Unesp, criada em 1976. Além de Botucatu, inclui os campi de Jaboticabal e Araçatuba. Por aqui, na FMVZ, o curso comporta outros títulos de peso, como conceito cinco – nota máxima – no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e o primeiro lugar em 2015 no Ranking Universitário Folha, feito pela Folha de S.Paulo.

Em 2013, a entidade ainda recebeu o prêmio do Programa de Estímulo à Divulgação e Internacionalização do Conhecimento Produzido na Unesp. E, também, um total de 40 trabalhos desenvolvidos na faculdade foram premiados nacional e internacionalmente.

Quanto à captação de recursos, foram 127 projetos com financiamento externo e, entre 2013 e 2016, a FMVZ recebeu um total de R$ 6.553.808,77 em arrecadação pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

E, de produção científica, 3.291 atividades foram desenvolvidas na faculdade por estudantes e docentes entre 2014 e 2016, entre, por exemplo, publicação de livros e de artigos em periódicos, trabalhos em anais de congressos e cursos ministrados.

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