Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Vespa compartilha alimentos, revela estudo da USP

Publicado em 09 março 2018

As vespas da espécie Polistes satan, conhecida popularmente como marimbondo-cavalo, apresentam um comportamento que tem intrigado os biólogos que estudam insetos sociais. Em ambientes modificados, como uma fazenda, essas vespas têm construído colônias próximas umas das outras, em vez de formarem ninhos independentes e distantes uns dos outros, como fazem em paisagens naturais.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em colaboração com colegas da University of Bristol, na Inglaterra, descobriu que há um fluxo de vespas entre essas colônias e que elas compartilham recursos como alimentos, colaborando e funcionando como uma supercolônia. O estudo foi realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no âmbito de um acordo com o Natural Environment Research Council (Nerc) - um dos Conselhos de Pesquisa do Reino Unido.

“Observamos que essa espécie de vespa utiliza todo o espaço disponível em ambientes naturais modificados para formar uma única colônia e, dessa forma, poder explorar completamente a área”, disse Fábio Santos do Nascimento, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (Ffclrp) da USP e coordenador do estudo, à Agência Fapesp.

Para mapear o fluxo das vespas - encontradas no Sudeste e em parte do Centro-Oeste do País - entre as colônias, os pesquisadores implantaram microchips de identificação por radiofrequência no dorso do tórax de 515 insetos que circulavam por 15 colônias próximas umas das outras, formando uma supercolônia, em uma fazenda em Pedregulho, no interior de São Paulo.

Nas colônias também foram instaladas antenas de rádio a fim de detectar automaticamente a entrada ou a saída de uma vespa marcada com um microchip de identificação por radiofrequência. As colônias foram monitoradas 11 horas por dia, durante seis dias. A análise dos dados coletados apontou que, durante 66 horas de detecção por radiofrequência, 20,9% das vespas fêmeas visitaram mais de uma colônia. A fim de avaliar o que possibilitava esse alto nível de visitação das vespas entre as colônias, os pesquisadores também testaram se elas eram capazes de identificar parentes e vespas “estrangeiras”.