O aumento das temperaturas e a previsão de um verão mais chuvoso acendem o alerta da Saúde para evitar que o cenário epidêmico de dengue de 2024 se repita em Francisco Beltrão. O último LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti) classificou o município em risco médio.
Os principais criadouros seguem sendo locais com lixo descartado de forma irregular e estruturas que acumulam água, como cisternas e piscinas — pontos que dependem diretamente dos cuidados da própria população.
Os dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que o município encerra novembro com 751 casos confirmados no ano, número menor que o registrado no mesmo período de 2024, quando a o município já acumulava mais de 17 mil casos.
Mesmo com cenário considerado controlado no segundo semestre, o secretário Edson Concelier (Saúde) reforça que a queda não significa ausência de risco. “Hoje, em questão de casos positivos, nós estamos ainda numa situação que não precisaria nos preocupar. O problema é que estamos no início do verão, e um verão que, segundo as nossas previsões, será de calor e chuva. Para a dengue entrar em uma epidemia, bastam 20 dias. É muito rápido. Não adianta removermos o lixo hoje e daqui uma semana estar todo o lixo acumulado novamente. Nós precisamos da população e trabalhar muito a prevenção.”
Álvaro Luiz Guancino, coordenador do setor de endemias, explica que a vulnerabilidade social influencia no surgimento de criadouros.
“Em locais onde a infraestrutura é menor, temos descarte incorreto de lixo, terrenos baldios e coleta de água em baldes abertos. Também temos visto cisternas sem manutenção e piscinas abandonadas.”
Também houve aumento da chikungunya. “Tivemos o primeiro caso em março, na linha Gralha Azul, e mais para o final do ano os casos se concentraram no Conjunto Esperança e no Padre Ulrico. Tivemos 19 casos este ano, e 11 estão nesses dois bairros”, diz Álvaro
Vacinação contra a dengue ainda está baixa
Tânia Elisa, coordenadora de imunização, explica que, atualmente, a única vacina disponível contra a dengue é a Qdenga, destinada para a faixa etária de 10 a 14 anos. Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou que, no próximo ano, será implantada uma nova vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada para pessoas de 12 a 59 anos. Ainda não há informações sobre quais serão os grupos priorizados.
“Essa vacina [Qdenga] é a mesma fornecida na rede privada. São duas doses com intervalo de três meses. O custo na rede particular é alto, de R$ 650 a R$ 1.200. No município, é de graça. É extremamente necessário que os pais levem essas crianças e adolescentes. E precisa ser feito as duas doses, não adianta fazer só a primeira dose e esquecer a segunda.”
Em Beltrão, 32% das crianças e adolescentes estão imunizados. “A gente espera que essa cobertura seja, no mínimo, de 80%. Tivemos um aumento significativo com as declarações para matrícula.”
A coordenadora reforça que a Qdenga é aplicada em duas doses e garante imunização permanente.