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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Verão deve ter tempestades severas

Publicado em 10 dezembro 2010

Elton Alisson/Agência Fapesp/Com Ieda Rodrigues

A região Sudeste do Brasil, onde Bauru está situada, deverá registrar no verão de 2011 um número de tempestades severas - formadas por altas descargas atmosféricas (raios), ventos fortes e chuvas intensas - maior do que a média dos últimos três anos, alerta o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Osmar Pinto Júnior.

A previsão é baseada em um algoritmo utilizado pelos pesquisadores do Inpe que, na última década, teve média de acerto de 80%, prevendo corretamente as condições climáticas em oito dos dez anos analisados. Mas, a exemplo de outras metodologias empregadas para fazer previsões de curto prazo de tempestades severas, o sistema ainda apresenta uma margem de erro relativamente alta, ressalva o pesquisador.

"As abordagens utilizadas até hoje para fazer previsões de tempestades severas, como dados de satélite, de rede e modelos meteorológicos, falharam. Como no Sudeste, e talvez em outras regiões do País também, esses eventos severos estão ficando cada vez mais frequentes, é preciso testar outras abordagens para prevê-los", disse Pinto Júnior.

Por isso, no Inpe já estão sendo testadas outras ferramentas, como modelos meteorológicos de alta resolução espacial, em escalas de 1 a 2 quilômetros, para tentar medir a concentração de gelo em nuvens, que é o fator determinante para a formação de raios. Outro exemplo são sensores de descargas intranuvem, que passam de uma nuvem a outra.

Reconhecido como um dos melhores indicadores para prever a severidade de uma tempestade, os dados sobre esse tipo de raio só eram captados no Brasil na região do Vale do Paraíba, no leste do Estado de São Paulo.

Mas um projeto de pesquisa realizado pelo Elat, em parceria com a empresa distribuidora de energia elétrica EDP Bandeirante, possibilitará que essas informações sejam captadas ainda no Espírito Santo, onde a empresa também atua.

Previsto para ser realizado ao longo de três anos ao custo de R$ 2 milhões, o projeto, denominado ClimaGrid, visa a desenvolver um sistema computacional que integre diversas informações meteorológicas para monitorar tempestades severas.

Segundo Pinto Júnior, o fenômeno climático é responsável por um número significativo de falhas no sistema elétrico brasileiro e causa um prejuízo anual de mais de R$ 600 milhões às operadoras de energia no País com reparos nas redes de transmissão.

"As redes de transmissão no Brasil estão expostas diretamente aos fenômenos climáticos porque 99% são aéreas. Se conseguirmos prever eventos extremos, como tempestades severas, será possível às operadoras de energia fazer um planejamento preventivo da manutenção de suas redes", disse o pesquisador no lançamento do projeto, que ocorreu em 3 de dezembro, em São Paulo.

Projeto prevê que distribuidoras de energia monitorem temporal

Ao monitorar diariamente a probabilidade de descargas nuvem-solo (que descem ao solo) no território abrangido por suas redes de transmissão, as distribuidoras de energia poderiam planejar e tomar decisões melhores sobre o posicionamento de suas equipes, de forma que pudessem reparar rapidamente eventuais falhas no sistema.

A primeira fase do projeto do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat)do Inpe foi iniciada em novembro com a instalação de uma versão inicial do sistema computacional no centro de operações da empresa, situado em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Na segunda, que está prevista para ser iniciada em 2011, os pesquisadores pretendem analisar os impactos das mudanças climáticas sobre todo o setor elétrico brasileiro.

"Os resultados do projeto também podem ter repercussões em outros setores que sofrem com impactos de fenômenos climáticos severos, como o de aviação e a defesa civil", disse Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat. O cientista coordena o projeto temático "Impacto das mudanças climáticas sobre a incidência de descargas atmosféricas no Brasil", apoiado pela Fapesp. "Com previsão de término para o fim de 2013, o projeto terá muitos resultados aplicados."

Índice de raios ultravioleta chega a nível máximo

O verão começará oficialmente no próximo dia 21, mas além do calorão - ontem a temperatura máxima em Bauru foi de 31,8 graus, com sensação térmica de 34 graus -, o índice da incidência dos raios ultravioleta (UV) está alto. Com poucas nuvens no céu, a radiação, numa escala de 1 a 14, está atingindo nível 13 em Bauru, de acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

Esta é a previsão para hoje, amanhã e domingo, dia em que a temperatura máxima poderá chegar a 35 graus. Além de envelhecer a pele, a radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer. Por isso, a orientação é usar e abusar do protetor solar.

Apesar de os produtos estarem mais eficientes em função da evolução da tecnologia, a orientação do dermatologista Ivander Bastazini é para reaplicar o protetor durante o dia, principalmente se a pessoa faz alguma atividade exposta ao sol. "Quem fica diretamente exposto ao sol, tem de reaplicar a cada três horas. Quem tem a pele mais clara também tem de se proteger com mais frequência. Mas mesmo que a pele não seja tão clara e a pessoa não fique tão exposta ao sol, no decorrer do dia tem de reaplicar o produto", frisa.

Além do rosto, parte do corpo que o dermatologista aconselha o uso de protetor fator 30, ele ressalta a necessidade de também aplicar o produto no pescoço, colo, braços e mãos. "No calor a tendência é usar roupas mais cavadas, que deixam mais áreas do corpo expostas ao sol", comenta. Quem é careca também tem de proteger o couro cabeludo. Para esta parte do corpo, que pode queimar mais que o rosto, colo e braços porque está voltada para o sol, o dermatologista recomenda o mesmo protetor solar usado no restante do corpo ou ainda boné ou chapéu.

Outra dica de Bastazini é escolher o protetor solar sempre considerando o tipo da pele. Para quem tem a pele oleosa é mais indicado protetor em gel. Pessoas com pele seca, em creme. E quem tem pele mista, protetor gel e creme. A escolha correta, frisa, ajuda que a pele fique mais oleosa ou mais seca e a pessoa deixe de usar o protetor em função disso.

Nem todos os óculos de sol protegem os olhos e pálpebras da radiação solar, alerta Bastazini. Para garantir que está levando um produto eficiente, na hora da compra peça para o vendedor verificar o índice de proteção dos óculos. "As lojas têm um aparelho que mede o índice de proteção oferecido pelos óculos", comenta