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Diário da Saúde

Ventilador pulmonar desenvolvido na USP estreia em hospital

Publicado em 16 julho 2020

Dez unidades do equipamento desenvolvido na Escola Politécnica começaram a ser utilizadas no Instituto do Coração.

Já estão no Instituto do Coração (InCor) da USP (Universidade de São Paulo) as primeiras 10 unidades do INSPIRE, um ventilador pulmonar de "baixo custo" desenvolvido por engenheiros da própria universidade - o desenvolvimento durou quatro meses e envolveu mais de 200 pesquisadores.

"Isso foi possível não apenas porque foi um trabalho árduo de quatro meses, de quase 200 pesquisadores, mas porque o Governo do Estado de São Paulo confia, apoia e financia seus centros de ensino e pesquisa. É importante destacar que os participantes desse projeto são pesquisadores que se dedicam a esse tema e a outros similares há décadas. Por isso, quando a sociedade necessitou, felizmente conseguimos, em um espaço de tempo muito pequeno, colocar o equipamento à disposição," disse Vahan Agopyan, reitor da USP.

Segundo os pesquisadores, o custo de produção, inicialmente estimado por eles em R$ 1 mil, subiu devido à alta do dólar e à adição de novos componentes para atender a mudanças na legislação. As estimativas agora variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil - o dólar subiu 30% desde o início do ano, antes da pandemia.

Teste e fabricação

No estudo-piloto que começou agora, 40 pacientes deverão utilizar os respiradores. A equipe está trabalhando nas últimas exigências da Anvisa para liberação da produção em larga escala do ventilador pulmonar.

"Estamos nos preparando para uma produção de 10 a 20 respiradores por dia," disse Raul Gonzalez Lima, coordenador do projeto. Os respiradores são montados nas instalações da Marinha do Brasil em São Paulo.

Lima destacou ainda que, para que o tratamento seja eficaz, as especificações de um ventilador pulmonar devem ser muito precisas.

"Nessa epidemia, uma UTI bem constituída, com profissionais treinados, é o que consegue manter o indivíduo vivo pelo tempo necessário para que ele produza os anticorpos contra o vírus. Para tratar a insuficiência respiratória, a alternativa é a ventilação mecânica. Fizemos testes-piloto, o ventilador se mostrou adequado e, a partir de amanhã [16/7], vamos iniciar a pesquisa em 40 pacientes, que deve ser concluída em três ou quatro semanas", acrescentou o engenheiro Carlos Carvalho, membro da equipe de desenvolvimento do aparelho.

Com informações da Agência Fapesp