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Veneno de serpente: o potencial terapêutico contra doenças parasitárias

Publicado em 15 agosto 2021

Publicado em revista internacional, artigo da UFU investiga família de proteínas consideradas promissoras na busca de novos tratamentos

Já pensou em utilizar o veneno de serpente para tratamentos de doenças como toxoplasmose, doença de Chagas, leishmaniose, malária e helmintíases? Apesar de apresentar efeitos letais em casos de envenenamento, o veneno tem moléculas que podem auxiliar nos tratamentos.

É o que revela a pesquisa publicada na Trends in Parasitology, revista com fator de impacto 9.014. “Panaceia dentro de uma caixa de Pandora: os efeitos antiparasitários das fosfolipases A2 (PLA2s) de venenos de serpente”, em português, foi desenvolvida por cientistas do Programa de Pós-graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas da Universidade Federal de Uberlândia (PPIPA-UFU).

“Panaceia dentro de uma caixa de Pandora: os efeitos antiparasitários das fosfolipases A2 (PLA2s) de venenos de serpente” é o título do artigo em português (Foto: Reprodução Trends in Parasitology)

Com a colaboração de pesquisadores de Minas Gerais, São Paulo e Bahia, o grupo fez um levantamento de literatura sobre o potencial terapêutico do veneno de serpente para o tratamento de doenças parasitárias. Hoje, existem poucas vacinas eficazes e são utilizados medicamentos que apresentam efeitos colaterais nos pacientes.

O pesquisador Samuel Teixeira, que faz estágio pós-doutoral financiado pelo Programa Nacional de Bolsas de Pós-Doutorado (PNPD) da Capes, associado ao PPIPA/UFU, é um dos autores do artigo e explica que é importante desenvolver novos tratamentos para as doenças. O veneno de serpente vem ganhando destaque justamente por ter moléculas com potencial antiparasitário.

“Através de um levantamento da literatura científica, demonstramos que apesar dos possíveis efeitos letais que os venenos de serpentes podem apresentar durante casos de acidentes ofídicos (envenenamentos), estes, ao mesmo tempo, podem atuar como uma rica fonte de moléculas passíveis de serem amplamente estudadas/exploradas quanto ao seu potencial terapêutico”, afirma Teixeira.

A pesquisa investigou uma família de proteínas isoladas do veneno de serpentes, chamadas de fosfolipases A2 (PLA2s). Elas têm se mostrado eficientes contra os causadores das doenças parasitárias e representam um caminho promissor na busca de tratamentos efetivos.

Samuel Costa Teixeira faz estágio pós-doutoral no PPIPA/UFU. (Foto: Arquivo pessoal)

“A descoberta de possíveis novos fármacos poderá ajudar milhões de pessoas em todo mundo que vivem em áreas endêmicas para tais doenças, principalmente em regiões de baixa renda. Contudo, apesar dos eminentes avanços, mais estudos se fazem necessários antes do estabelecimento de possíveis tratamentos mais eficazes e seletivos”, completa o pesquisador.

O estudo teve fomento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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