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Veneno de peixe vira cura para asmáticos

Publicado em 17 janeiro 2011

Por Lielson Tiozzo

A solução para as crises de falta de ar que incomoda os 15 milhões de asmáticos que existem no Brasil está no veneno de um peixe venenoso, típico da região Nordeste. Pelo menos é o que comprovou um estudo do Laboratório Especial de Toxinologia (LETA) do Instituto Butantan, em São Paulo.

 

O veneno do Thalassophryne nattereri, também conhecido como niquim ou peixe-escorpião, é bastante agressivo quando injetado por meio de ferroadas no corpo humano. Os acidentes ocorrem com banhistas e pescadores que confundem o peixe com uma pedra, já que ele está sempre no fundo arenoso e em águas rasas. 

Se o peixe escorpião for pisado, o veneno é injetado por pressão, causando muita dor, queimação, inchaço, inflamação e uma necrose muito precoce. O ferimento leva muito tempo para cicatrizar.

Mas agora o temível peixe venenoso começa a deixar o seu papel apenas de vilão. Em seu veneno existe a proteína isolada chamada de nattectina. Trata-se de uma lectina tipo C, uma proteína de ligação de carboidratos, considerada interessante por suas características biológicas, farmacológicas e bioquímicas.
 
“A nattectina tem ação anti-inflamatória nos casos de inflamação pulmonar, porém sem o efeito colateral dos corticóides. Acreditamos que ela pode agir tanto no sentido de impedir que o asmático entre em crise como para tirar o paciente da crise”, explica ao Blog Biodiversa de Lian John a pesquisadora do LETA, Mônica Lopes Ferreira.

A equipe do Butantan trabalha em parceria com um laboratório comercial e com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com o objetivo de colocar rapidamente no mercado um medicamento feito com a nova proteína. No entanto, ainda faltam os testes laboratoriais, que levam de um a três anos, e também aumentar a produção nattectina para deixar o medicamento a um custo acessível.

Ao mesmo tempo que desenvolve o medicamento, o LETA também estuda a criação de um soro para as vítimas da ferroada do peixe venenoso. O tratamento com analgésicos ou anti-histamínicos não funciona de maneira eficiente. Nos casos mais graves, as vítimas têm, inclusive, a perna atrofiada e perda de função.