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Veneno de aranha-armadeira apresenta bons resultados em tratamento de câncer de mama (129 notícias)

Publicado em 22 de abril de 2024

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A busca por novos procedimentos que potencializem os efeitos positivos dos tratamentos convencionais contra o câncer e que deem mais qualidade de vida a pacientes mobiliza pesquisadores de diversas áreas. Na Unicamp, um estudo conduzido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) investiga os benefícios que alguns componentes encontrados no veneno de uma espécie de aranha-armadeira (Phoneutria nigriventer) podem proporcionar no combate ao câncer de mama.

Os resultados obtidos até o momento indicam que o uso desses compostos combinado com o de quimioterápicos retardou a progressão de tumores e aumentou o bem-estar de camundongos fêmea. A análise faz parte da pesquisa de doutorado de Ingrid Trevisan, e os testes foram conduzidos no Laboratório de Terapias Avançadas (Latera), coordenado pela professora Catarina Rapôso, orientadora de Trevisan.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, no período entre 2023 e 2025, prevê-se o diagnóstico de 73.610 novos casos de câncer de mama no Brasil, sendo esse o câncer de maior incidência em mulheres depois do câncer de pele. Por se tratar de uma enfermidade decorrente do crescimento desordenado de células mamárias, a doença é muito comum entre animais mamíferos, respondendo, por exemplo, por 45% a 50% das neoplasias identificadas em cadelas, de acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Moléculas de interesse

O interesse pelo veneno da aranha-armadeira acompanha a trajetória de Rapôso desde sua pós-graduação. Na época, a cientista integrava projetos de pesquisa do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp que investigavam propriedades gerais do composto.

Segundo a professora, o veneno dessa espécie de aracnídeo chama a atenção por atuar no sistema nervoso das suas presas, especialmente nas células chamadas astrócitos, causando efeitos neurotóxicos, como convulsões. Ciente desse efeito, Rapôso analisou a ação do composto em células cancerígenas formadas em tecidos nervosos, os gliomas. “Gliomas são tumores do sistema nervoso central que se originam, principalmente, nos astrócitos. Como o veneno tem um efeito muito seletivo em astrócitos, pensei nessa possibilidade de aplicação”, explica.

A resposta farmacológica positiva do veneno sobre gliomas humanos abriu caminho para o trabalho com outras células tumorais, desta vez caninas, tais como o mastocitoma, o linfoma cutâneo, os carcinomas de bexiga e os carcinomas de mama. Nos quatro casos, o veneno da aranha também apresentou bons resultados. A escolha por dar prosseguimentos às análises, concentrando-se em células de câncer de mama, deveu-se à sua experiência como médica veterinária.

“Assim como no caso dos seres humanos, em pacientes veterinários o câncer de mama é muito heterogêneo, podendo haver diferenças entre tecidos dentro do mesmo tumor”, descreve a pesquisadora, ressaltando que a resposta obtida até então dizia respeito a modelos celulares in vitro.

Antes dos testes em animais de laboratório, as pesquisadoras trabalharam na separação dos componentes do veneno para identificar quais moléculas eram as responsáveis pela resposta farmacológica. O procedimento, necessário pois não seria possível aplicar o veneno bruto dada sua toxicidade, realizou-se por meio de um processo de separação baseado na massa molecular dos componentes. Com isso, as cientistas chegaram a duas moléculas de interesse: uma delas ataca diretamente as células tumorais, retardando o processo de metástase, e a outra atua na modulação do sistema imunológico.

De acordo com Rapôso, esse efeito se mostra proveitoso no tratamento da doença pois estimula uma resposta imune mais equilibrada. “As terapias imunológicas para câncer têm o problema de induzirem respostas muito exacerbadas, podendo levar a uma inflamação generalizada do organismo, como uma espécie de sepse”, aponta.

Após sua identificação e seu isolamento, a segunda molécula foi testada em camundongos fêmea que apresentavam tumor mamário experimental, isto é, induzido em laboratório. As pesquisadoras fizeram três tipos de teste: com a molécula isolada, com ela combinada a um quimioterápico convencional e apenas com o quimioterápico. Nas duas primeiras modalidades, observou-se uma redução em torno de 30% nos tumores.

No caso do combinado, os tumores mostraram-se mais receptivos à resposta imune do organismo, além de ter sido registrada uma melhora no bem-estar dos animais. “Vimos que elas [os camundongos fêmea] ficavam muito mais dispostas, comiam mais e não sofriam com a toxicidade da quimioterapia convencional”, detalha Trevisan.

Para a realização dos testes, as pesquisadoras contaram com diversas parcerias, entre elas com o IB da Unicamp, a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, em São Paulo, a Universidade São Francisco, em Bragança Paulista (SP), e uma clínica de oncologia veterinária de Campinas.

Novos tratamentos

Depois da produção de uma molécula sintetizada em laboratório, o próximo passo da pesquisa será testar os seus efeitos. Nessa nova fase, a sobrevida dos animais após o tratamento será analisada. A doutoranda explica que, dependendo dos resultados que obtiverem, os compostos serão testados em animais em clínicas veterinárias parceiras. A ideia consiste em tratar cadelas com câncer de mama, em uma etapa que pode abrir caminhos para futuros testes clínicos. “Se tivermos uma resposta positiva, teremos uma evidência do potencial da sua aplicação em seres humanos.”

O projeto de Rapôso e Trevisan vai ao encontro de uma tendência crescente da indústria farmacêutica: o interesse por fontes naturais para o desenvolvimento de fármacos. Nos últimos anos, o avanço tecnológico nesse campo contribuiu para colocar os produtos naturais como líderes na produção de medicamentos.

No caso do câncer, isso significa uma possibilidade a mais de combater uma doença que ataca o organismo de várias maneiras. “A terapia combinada tem sido uma estratégia muito usada, muito pesquisada. E parece ser valiosa para o tratamento do câncer. Isso faz sentido porque essa é uma doença com vários mecanismos envolvidos. Não adianta atuarmos com apenas uma estratégia de combate”, defende Rapôso.