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O Liberal (PA)

Venda de domínios na internet começa cair

Publicado em 08 novembro 2005

Muita gente fez dinheiro vendendo endereços de internet. Em 1999, o domínio business.com foi vendido por US$ 7,5 milhões. No ano seguinte, pagaram US$ 5 milhões por korea.com. Também em 1999, autos.com foi arrematado por US$ 2,2 milhões. Mas Jan Struiving, dono da Empresa Brasileira de Domínios na Internet (EBDI), de São José dos Pinhais (PR), descobriu que este não é um mercado fácil. "Tivemos um monte de reveses", afirmou Struiving, que começou a enfrentar uma crise financeira há 4 anos, e acabou tendo de oferecer em garantia ao credor os 4 mil domínios que tem registrados. "Posso liberá-los, conforme fecho negócios."

Ele decidiu declarar guerra ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável pelo registro dos endereços com o sufixo ".br". Num de seus sites, chamado Interjuris, faz acusações graves contra o comitê e seus diretores, contra a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e contra integrantes do governo. A Fapesp é responsável por arrecadar a taxa de registro de domínios. Num de seus textos, Struiving procura ligar o dinheiro arrecadado com o registro dos endereços na internet - R$ 30 anuais para cada um dos 841 mil domínios no País - à crise do mensalão: "Não tenho mais nada a perder".

Struiving recebeu uma notificação extrajudicial do Comitê Gestor, para que ele confirme ser o autor das acusações. Caso venha a confirmar, deve sofrer uma ação na Justiça. Ele afirma estar sendo perseguido. "Existe uma máfia grande por trás", afirmou o empresário. "Eles geram um atraso no livre comércio da internet. O domínio é um produto como qualquer outro, que pode ser vendido ou comprado."
O conselheiro Demi Getschko, do Comitê Gestor, um dos principais alvos de Struiving, nega perseguição. "Prova disso é que o site com as acusações continua no ar." Ele explicou que o comitê vem aperfeiçoando as regras para desestimular o comércio de endereços de internet: "O negócio deve ser o site, e não o domínio".

A mudança de regras prejudicou Struiving. "Ele tinha um esquema para manter 4 mil domínios sem pagar, mas fechamos todos os buracos", afirmou Getschko. Antes, quem registrava o domínio tinha 30 dias para pagar. Depois disso, o endereço ficava 90 dias congelado, para então ser oferecido de novo.
"O interessado não pagava e, depois de 120 dias, ia lá e registrava de novo." Agora, o comitê faz leilões de endereços, verificando se não existem outros interessados, o que dificulta a vida de quem deixava de pagar a taxa. "Se for um endereço bom, vai ter mais de um candidato", disse o conselheiro. "E não pode participar do leilão quem tem taxas atrasadas." O Comitê Gestor tem cerca de R$ 130 milhões em caixa e deve decidir até o fim do ano em que projetos irá aplicar os recursos.

"Pago de R$ 1 mil a R$ 2 mil por mês em taxas de registro", disse Struiving.
Os endereços que ele possui são genéricos, como agroindustria.com.br e hardware.com.br, ou nomes de cidades, como itapevi.com.br. A Sadia comprou dele o endereço frango.com.br. O empresário preferiu não citar casos com seus respectivos valores, mas informou que já vendeu domínios por mais de R$ 30 mil.