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Vencedor do Prêmio Jabuti reposiciona o jornalismo no mundo digital

Publicado em 17 novembro 2016

Contrastando com as verdades de um mundo em que as empresas digitais ditam comportamento e colocam práticas tradicionais em xeque, o livro ’Para além do código digital: o lugar do Jornalismo em um mundo interconectado’, lançado pela EdUFSCar, com apoio da Fapesp, reafirma a importância de jornalistas intelectualmente bem-formados e eticamente responsáveis.

 

Sem se intimidar com as crises pelas quais os meios de comunicação atravessam nas últimas décadas, Carlos Sandano revê criticamente os valores tradicionais desta prática, como a imparcialidade e a objetividade, para em seguida afirmar que o Jornalismo se torna necessário quando amplia as narrativas humanas e cria um espaço público onde possa existir o diálogo.

 

Este é o significado do “para além” do título: perseguir aquilo que a tecnologia não está capacitada para oferecer, reformulando o entendimento sobre a prática jornalística e reafirmando a sua importância para a sustentação da democracia.

 

Levando em consideração as transformações das últimas décadas, mas sem se submeter aos comandos do código digital, o autor redefine o Jornalismo como um espaço público de articulação empática e solidária de estratégias relacionadas a diferentes culturas e visões de mundo.

 

Trata-se assim de pensar qual o trabalho intelectual tem a envergadura necessária para assumir a responsabilidade de servir à sociedade democrática e se dedicar conscientemente à afirmação da solidariedade nas relações humanas. E Sandano o faz analisando casos reais recentes, como o fechamento do jornal britânico News of the World, as charges anti-islâmicas do francês Charlie Hebdo, o Wikileaks, a Mídia Ninja e o ataque de consagrados colunistas brasileiros a um livro de alfabetização de adultos.

 

O que segue então é uma reflexão apoiada na Filosofia sobre valores que devem balizar a prática jornalística, numa tentativa de buscar referências, pontos de apoio para pensar o seu significado e as consequências de seu exercício. Uma “sólida argumentação, que percorre teorias e desmonta manuais dogmáticos”, escreve a professora titular de Jornalismo da USP, Cremilda Medina, no prefácio. “Sandano não cede aos encantos fáceis da ‘era de reprodutibilidade em rede’, mas opta por um caminho difícil, o da incursão nos princípios e valores que constituem a identidade do Jornalismo e a responsabilidade a ele atribuída nas relações sociais”.

 

 

Sobre o autor

 

Carlos Sandano é jornalista profissional desde 1992, quando se Carlos graduou na Faculdade Cásper Líbero. Desempenhou funções de repórter, crítico de música, resenhista e editor-chefe em jornais e revistas Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Áudio News, Vídeo News, CD-ROM Today, Classic CD e Computer Gaming World, além de ter trabalhado no desenvolvimento de projetos informativos na Internet, nas editoras Quark, Abril e TV Senac.

 

Mestre em Integração da América Latina e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, atualmente é docente no curso de Jornalismo da Universidade Mackenzie e diretor de conteúdo da Pluricom Comunicação Integrada.