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Vencedor do Nobel de Química defende foco de pesquisa em ciência básica

Publicado em 19 julho 2017

O escocês naturalizado americano e vencedor do Prêmio Nobel de Química 2016, Sir James Fraser Stoddart, visitou o Brasil recentemente para participar do 46º Congresso Mundial de Química da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC 2017), em São Paulo (SP). Na avaliação do cientista, o essencial para os jovens pesquisadores que desejam trilhar uma carreira de sucesso é ter foco na pesquisa em ciência básica.

“Eu vejo que os melhores estudantes que vieram para o meu grupo não chegam pensando em aplicação, mas em fazer pesquisas fundamentais – porque eles simplesmente gostam de fazer – e encontrar soluções para problemas muito difíceis”, afirmou Stoddart. “Os jovens precisam encontrar problemas difíceis e então solucioná-los, sem se preocupar com a aplicação”, ressaltou.

Stoddart dividiu o Prêmio Nobel de Química 2016 com Jean-Pierre Sauvage e Bernard L. Feringa pela concepção e produção de máquinas moleculares, ou nanomáquinas. Em organismos vivos, as células executam funções com regulação de temperatura e reparação de dano. O que o trio conseguiu fazer foi replicar esse tipo de função em moléculas sintéticas, que convertem energia química em movimento mecânico, podendo assim executar várias funções.

A tecnologia já está sendo usada para criar micro robôs e materiais que se auto reparam sem a necessidade de intervenção humana. As aplicações são inúmeras e podem levar a novas práticas na medicina e em tecnologia da informação. “Elas vão desempenhar seu papel na considerável revolução tecnoindustrial que teremos nas próximas décadas. Foi uma descoberta básica a partir de um desenvolvimento de pesquisa básica”, informou o cientista.

Após ser laureado, Stoddart está criando uma startup de mineração de ouro: a partir das máquinas moleculares será possível separar o ouro sem o uso de contaminantes e de modo mais econômico. “É uma maneira muito mais barata e ecológica de fazer isso, que não contamina a natureza, nem as pessoas que trabalham em mineração. Estou muito animado de poder ajudar meus alunos e ver como uma pesquisa que ganhou o Nobel possa ser usada nos dias de hoje”, comentou.

Enquanto isso, Stoddart viaja o mundo para dar palestras, entrevistas e se integrar com pesquisadores mais jovens. “É incrível como os jovens inteligentes de todo o mundo, e todos são muito semelhantes nisso, se engajam na busca do conhecimento. Em termos de ciência básica, acho que os alunos mais brilhantes se adaptam melhor a isso do que ao espectro de uma aplicação”, ponderou.

Outro conselho dado pelo cientista de 74 anos aos jovens pesquisadores é encontrarem uma área de pesquisa que seja muito diferente, de forma que, se houver progresso substancial, o nome do pesquisador e do laboratório estarão associados a esse progresso. “Digo também que eles não devem pensar em ganhar um Prêmio Nobel. Isso é meio louco porque em química há apenas 175 desde 1901. Pode ou não acontecer. Esse não é um sonho valioso, mas acho que ser um cientista de sucesso, sim. É preciso ser capaz, de uma forma ou de outra, de encontrar algo que não seja muito popular até o momento em que você entra em campo.”

(Agência ABIPTI, com informações da Agência Fapesp)