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Vem aí: o suco de uva supersaudável criado por cientistas brasileiros

Publicado em 23 agosto 2019

Por Agência FAPESP

Pesquisadores conseguiram aumentar em 70% o teor de resveratrol na bebida. Composto previne doenças cardíacas e tem ação anti-inflamatória

Um recente estudo financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo) descobriu uma forma de aumentar em 70% o teor de resveratrol no suco de uva. A substância é conhecida por prevenir uma série de doenças cardíacas, tem ação anti-inflamatória e ajuda a controlar o estresse, a ansiedade e a depressão.

A pesquisa foi conduzida pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP). Os pesquisadores desenvolveram uma técnica natural para estimular as videiras a produzirem maiores quantidades de resveratrol.

De acordo com a pesquisadora Laís Moro, doutoranda em Ciência dos Alimentos na FCF-USP, um composto vegetal, produzido naturalmente pela videira, é o responsável pelo aporte do componente benéfico. “Adquiri um composto concentrado, o diluí em uma concentração segura para a planta e para os seres humanos e, então, fiz uma aplicação diretamente na planta”, detalha.

O composto, adicionado durante o período de amadurecimento do fruto, teve como finalidade estimular a videira a produzir mais resveratrol que o habitual. Os cientistas envolvidos realizaram testes com dois tipos de uva em videiras do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Ao todo, foram utilizados 240 litros de suco por região, sendo que parte das plantas era tratada e outra não.

Como resultado, eles observaram que não foi só a quantidade de resveratrol que aumentou. As taxas de antocianinas (antioxidante que faz o metabolismo trabalhar mais, diminuindo as células adiposas) e de flavonoides (compostos com funções antioxidantes e anti-inflamatórias) também aumentaram.

A próxima etapa, de acordo com Laís Moro, é realizar novas pesquisas para descobrir se os resultados serão mantidos em um segundo ano de estudo.

Tanto o resveratrol quanto as antocianinas e os flavonoides estão amplamente presentes no vinho, mas a ideia de aumentar estas propriedades no suco comum pretende alcançar quem não pode consumir álcool, como crianças e idosos.