Notícia

Gazeta do Povo

Vem aí a tinta sem cheiro

Publicado em 13 novembro 2005

Quem pensa em deixar o imóvel com cara de novo mas desanima só de pensar no cheiro que a pintura deixa nos ambientes irá receber em breve uma boa notícia. Depois de sete anos de pesquisas, foi concluído o desenvolvimento de uma nova tinta que, além de ser praticamente sem cheiro, é muito menos tóxica do que as vendidas atualmente.
Isso é possível graças a um novo método para a fabricação de polímeros — como são chamadas as resinas usadas em tintas — resultado de um projeto de pesquisa coordenado pelo engenheiro químico Reinaldo Giudici, professor e pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). A pesquisa, em fase conclusiva, está sendo realizada nos laboratórios do Departamento de Engenharia Química da Poli por encomenda de uma grande multinacional produtora de polímeros.

O projeto da nova tinta de parede foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que entrou com R$ 650 mil, e pela multinacional, que liberou uma verba de R$ 135 mil. No mesmo projeto, o pesquisador da Poli/USP está desenvolvendo um outro polímero, também menos tóxico e com menos cheiro, a ser aplicado em recobrimento de papel utilizado na impressão de revistas.

O professor Reinaldo Giudici explica que o cheiro e a toxicidade da tinta se deve aos resíduos da reação química que leva à formação de polímeros — a polimerização. "Nesse processo, sempre sobra um pouco de monômeros (pequenas moléculas) entre as grandes moléculas. Por serem substâncias voláteis, os monômeros são os responsáveis pelo cheiro e pela toxicidade das tintas e outros polímeros." Com a tecnologia desenvolvida pela equipe do pesquisador da Escola Politécnica, sobram menos monômeros no polímero: a concentração é dez vezes menor que a das tintas existentes atualmente no mercado.
Da Redação