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Veja como está participando do Brasil na corrida contra a vacina contra o Covid-19 | Coronavírus

Publicado em 20 junho 2020

O Brasil, segundo país com mais mortes pela doença em números absolutos, consta da lista do OMS com dois estudos em fase pré-clínica.

Mas o país ainda tem outras pesquisas em fases preliminares em universidades e laboratórios nacionais, além de duas parcerias importantes – uma com a Universidade de Oxford e outra com o laboratório chinês Sinovac – para a fase 3 em humanos, com 11 milhões de brasileiros .

Não há desenvolvimento de vacinas, existe um fase pré-clínica (com placa na placa e depois em animais) e três etapas da fase clínica (em humanos), que abrangem mais pessoas e métodos diferentes em cada passo dado (1, 2 e 3) para encontrar as melhores formulações e periodicidades.

A participação brasileira ainda conta com uma médica que foi convidada pela OMS para integrar o Grupo Estratégico Internacional de Especialistas em Vacinas e Vacinação, um núcleo de estudos com 15 especialistas da América do Sul que avalia resultados encontrados em relação a Covid-19.

Cristiane Toscano é epidemiologista, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e representa o estado da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Ela espera que a participação nacional estimule a ciência no Brasil: “É bastante promissor termos de vacinas em desenvolvimento e ensaios clínicos realizados aqui, também temos profissionais participantes de diversos comitês pelo mundo. e doações para financiamento de pesquisa “, destacou.

“O fortalecimento e investimento em pesquisa são marcas registradas dos países que mais crescem em PIB e produção de produtos, já que escolhem investir em educação, ciência e inovação”, completou.

Embora existam iniciativas neste momento, a falta de investimentos coloca o Brasil mais atrás na corrida das vacinas: “Uma pessoa tem tecnologia, pessoas e conhecimento, mas não tem dinheiro e não tem alunos, que cortaram como bolsas. Não existe ciência sem pós-graduação. Esse desmonte deixou a ciência brasileira quebrada. Não vai ter financiamento para todos os projetos. É bem capaz de alguma idéia legal de morra na praia por falta de recursos “, comentou o microbiologista Natalia Pasternak, fundadora do Instituto Questão de Ciência.

Abaixo, veja como está participando do Brasil em cada caso:

Vacina de Oxford – Testes no Brasil (fase 3)

Uma das vacinas em estágio mais avançado no mundo é a Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a empresa AstraZeneca, que utiliza os critérios de estudos de vacinas contra o ebola e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio usando outro tipo de coronavírus).

Ao todo, 50 milhões de pessoas serão testadas em todo o mundo – 30 milhões nos Estados Unidos e outros países da África e Ásia. No Brasil, 2 mil voluntários entre 18 e 55 anos serão vacinados. A ideia é anunciar os resultados até setembro e, se tudo correr bem, entregar como vacinas já em outubro.

Em São Paulo, os testes em mil voluntários serão conduzidos pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e contaminarão a viabilização financeira da Fundação Lemann em todas as áreas médicas e equipamentos.

No Rio de Janeiro, os testes em milenove são feitos pela Rede D’Or São Luiz, com R $ 5 milhões bancados pela própria Rede, e sob coordenação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor).

São recrutadas pessoas da linha de frente de combate à Covid-19, em situação de maior exposição à contaminação. Eles precisam ser soronegativos, ou seja, que não contraíram a doença anteriormente.

A vacina utiliza uma tecnologia conhecida como vetor viral recombinante. Ela é eliminada a partir de uma versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés – e que não causa doença em humanos. Um imunizante foi adicionado ao material genético usado na produção da proteína “spike” do Sars-Cov-2 (que é usado para células invasoras), induzindo os ataques.

É considerada uma vacina moderna e “segura” por não utilizar o vírus e sim uma sequência genética.

Butantan / Sinovac – Testes no Brasil (fase 3)

O Governo de São Paulo e o Instituto Butantan anunciaram na última semana uma parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, que já testou nas fases 1 e 2 com cerca de mil pessoas – tendo criado o uso em 90% dos pacientes.

Pelo acordo, 9 mil voluntários brasileiros serão testados e, caso a imunização se torne segura, o país contenha doses da vacina até junho de 2021. O estudo clínico custará R $ 85 milhões.

A vacina é chamada CoronaVac e, como houve controle de pandemia na Ásia, ou o laboratório procurou a cooperação de países que ainda contamina com muitas pessoas expostas a vírus. Como o Brasil.

Especialistas dizem que trata de uma “vacina à moda antiga”, com técnica conhecida desde os anos 1960, com manipulação em laboratório de células humanas infectadas pelo próprio Sars-Cov-2. A vacina é isolada com fragmentos inativados do coronavírus para introdução em humanos. Com uma aplicação, o sistema imunológico passa a produzir contra o agente causador da doença.

Por trabalhar com o vírus inteiro, exige laboratórios seguros e boa logística: “É uma tecnologia que domina o Butantan. A vacina da dengue já é feita assim”, explicou Dimas Tadeu, diretor do Butantan.

O instituto é reconhecido como a maior fábrica de vacinas da América Latina. Em 2019, 60 milhões de vacinas contra queixas foram fornecidas pelo Butantan ao governo federal.

Incor / FMUSP – (fase pré-clínica)

O projeto nacional em estágio mais avançado é liderado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor). Uma pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O grupo trabalha com plataforma de vacina baseada em diferenças similares ao vírus (VLP, em inglês). Os testes de três formulações de vacinas diferentes já são feitos em camundongos.

“Quando um vírus entra em nosso corpo, o sistema imunológico de ataca. Não queremos usar o vírus, queremos usar semelhantes semelhantes ao vírus. Fizemos isso com chikungunya, Streptococcus e agora Covid-19. Essas estimativas são apenas uma base que estimula o sistema imunológico. Nele, um indivíduo coloca alguns pedaços de coronavírus, fragmentos de proteínas ou proteínas inteiras, dando estímulo ao sistema imunológico para produzir anticorpo ”, explicou o imunologista Gustavo Cabral, doutor pela USP e pós-doutorado pela Universidade Oxford e pela Universidade de Berna, na Suíça.

Fiocruz Minas – (fase pré-clínica)

O INCTV (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas), que tem base técnica elaborada pelo Grupo de Imunologia de Doenças Virais da Fundação Oswaldo Cruz-MG, atualmente neste momento outra alternativa nacional. Ele também conta com o apoio do Instituto Butantan.

Os pesquisadores construíram um vírus recombinante. O vírus da gripe (gripe comum) foi modificado dentro do laboratório para que possa transportar parte da proteína do novo coronavírus para o organismo, proteção contra Covid-19.

“Usamos o vírus influenza enfraquecido (atenuado) como vetor vacinal. Introduz um gene do coronavírus que codifica uma proteína, que é o alvo da resposta imune contra o coronavírus ”, explica o pesquisador Ricardo Gazzinelli, líder do Grupo de Imunopatologia da Fiocruz Minas e coordenador do INCTV.

A vacina pode ser testada em camundongos em breve. Imagine que ela pode chegar à fase de produção no final de 2021, caso ela encontre a proteção e segurança em todos os testes realizados.

Vacinas não registradas na OMS
Bio-Manguinhos / Fiocruz – (fase pré-clínica)

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos / Fiocruz) está conduzindo um projeto de uma vacina sintética. O modelo está pronto para ser testado em animais (fase pré-clínica). Uma forma sintética pode ser mais rápida, mais barata e possui estabilidade para armazenamento.

Essa iniciativa, porém, não chegará ao registro antes de 2022. A vacina sintética tem base em biomoléculas ou peptídeos antigênicos de células B e T, ou seja, contém pequenas partes de proteínas do vírus Sars-CoV-2, capaz de induzir uma produção de cabos.

As biomoléculas foram produzidas por química química e validadas “in vitro” (na placa). Os peptídeos foram acoplados em nanopartículas, que funcionam como uma forma de entrega para ativar o sistema imunológico. A partir de agora, serão feitas formulações vacinais com essas biomoléculas acopladas em nanopartículas para avaliação em animais.

“Temos que testar como as condições nos animais e, se tudo der certo, avançarmos para a fase 1 do teste clínico. Caso contrário, teremos que voltar atrás, um pouquinho para melhorar o desenho”, disse Sotiris Missailidis, vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico da Bio-Manguinhos (veja mais no video).

Instituto de Ciências Biomédicas da USP (fase conceitual)

Quatro pesquisas acontecem neste momento no ICB. Três delas são iniciativas do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas, coordenado por Luís Carlos de Souza Ferreira, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. São vacinas de DNA, RNA e nanopartículas.

Como duas primeiras usam uma sequência genética de vírus para inserir célula humana, produzindo cópias de proteínas de vírus Sars-Cov-2. Aninha modelos, não usa vírus, apenas seu material genético (DNA ou RNA), ou torna a vacina mais segura.

Como trata uma nova tecnologia, não há vacinas deste tipo no mercado ainda. Também existem iniciativas nos Estados Unidos. A empresa Inovio Pharmaceuticals faz testes na fase 1 com o modelo de DNA. Já é moderno nos EUA ou RNA e está na fase 2.

“A maior vantagem de trabalhar com DNA e RNA é não precisa do vírus. Trabalhamos apenas com seqüências genéticas, não precisamos cultivar ou vírus, nem laboratórios de segurança. E essas plataformas são muito versáteis. Com ela pronta, podemos trocar facilmente por seqüências genéticas de outros vírus. Por exemplo, se você já tiver experimentado uma vacina de DNA ou RNA pronta e aprovada para Sars ou Mers, seria uma rápida adaptação para Covid19 “, analisou o microbiologista Natalia Pasternak.

O modelo com nanotecnologia do ICB tem fase pré-clínica (em animais) prevista para setembro. “Temos uma plataforma de montagem de nanopartículas que se forma a partir de fragmentos de vírus. Várias vacinas usam como proteínas de vírus, por algo que é mais seguro para usar vírus inteiros, mas elas às vezes não causam uma resposta tão forte no organismo . Essas proteínas utilizadas em uma estrutura que parece com vírus – que é o caso da nanopartícula -, uma pessoa que acaba tendo uma resposta mais forte “, disse Mariana Favaro, pós-doutoranda do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do ICB, ao Jornal da USP.

A quarta iniciativa do Instituto de Ciências Biomédicas da USP também trabalha com nanopartículas e é coordenada pelo médico veterinário Marco Antônio Stephano, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Ela, porém, oferece um modelo de vacina em spray nasal.

Essa iniciativa já foi usada em camundongos contra a hepatite B.

O spray é aplicado nas narinas e tem um componente que contém uma proteína do novo coronavírus dentro de uma nanopartícula. A ideia é que o organismo produza o anticorpo IgA Secretoram. Serão necessárias quatro doses de aplicação – duas em cada narina, com intervalo de 15 dias. Os protótipos devem ficar prontos em setembro, quando os testes em animais serão iniciados.

Instituto Butantan (fase conceitual)

Embora não haja desenvolvimento da vacina chinesa de Sinovac, o Instituto Butantan também realiza uma pesquisa própria que é vista como um “plano B” para o caso de vacinas que estão em estágio mais avançado não mostrarem segurança e / ou usar. O estudo também tem o apoio da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

Segundo Luciana Cezar Cerqueira Leite, pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas, um trabalho que vinha sendo desenvolvido para esquistossomose pode ser adaptado. “Tivemos resultados muito bons, então redirecionamos o projeto para usar a mesma plataforma, mas com proteínas do vírus da doença. Atualmente, não há pesquisas mais recentes sobre vacinas usando RNA, vírus inativos e adenovírus. Esperamos que algumas delas funcionem e resolvam o problema. Quando sair do resultado, esperamos finalizar a fase pré-clínica da nossa, para decidir se seguimos ou não com esse plano B “.

Neste modelo, use OMVs (membrana externa, tradução) como matriz de suporte de antígenos, para que uma partição mimetize (imite) ou vírus. Uma ideia que pode ser liberada por bactérias para distrair o sistema imune, provocando uma resposta favorável contra vírus.

“Uma bactéria solta pedaços de sua membrana para desviar a atenção do sistema imunológico, que fica tentando matar essas vesículas. É um mecanismo de escape da bactéria. Elas ativam muito o sistema imunológico. Já vinham misturando essas vesículas com substâncias. Agora a estratégia é contra proteínas de vírus na superfície, fazendo uma coisa que parece ser viral. Contra uma esquistossomose, essa indução produz 100 vezes mais testes de proteína sozinha. E ela ainda ativa células que vão atacar ou vírus. Pode ser interessante ” , explicou a pesquisadora.

Farmacore (fase conceitual)

Uma empresa de biotecnologia de Ribeirão Preto (SP) estuda a produção de uma vacina que utiliza proteínas próprias Sars-Cov-2. Trata-se de Farmacore, que trabalha em fase exploratória (pesquisa de antígenos) e inicia uma fase pré-clínica com camundongos a partir de julho.

A ideia é usar pedaços da proteína Spike (S), responsável pela entrada do vírus da célula coronária, quando liga um receptor em organismos humanos, e também outras proteínas e membranas. O objetivo é induzir neutralizadores que causam entrada de vírus. O sistema carregador, composto por micropartículas, foi elaborado pela empresa americana PDS Biotechnology, parceira nesta empreitada.

O próximo passo é submeter uma ideia aos testes em camundongos, na fase pré-clínica.