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Duna Press

Variedades de soja adaptadas às mudanças climáticas

Publicado em 30 janeiro 2021

O Brasil é um dos mais importantes produtores de soja, tendo fornecido cerca de 30% desse produto ao mercado mundial em 2013. Os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contribuem com 47% dessa produção. O sucesso das colheitas de soja depende de fatores climáticos e níveis baixos de chuva são a principal razão para rendimentos menores das plantações. Devido às mudanças climáticas, os padrões e os regimes de chuva têm se alterado. Espera-se que no futuro sejam cada vez mais frequentes os casos intensos de seca.

A soja possui muitas variedades, cada uma com características próprias, sendo algumas delas capazes de ajudar no crescimento da planta em situações de temperaturas mais altas e umidade baixa. Assim, é interessante identificar os tipos de soja que podem se adaptar melhor às condições climáticas futuras, a fim de se obter cruzamentos entre diferentes variedades, gerando plantas novas e mais adaptadas.

O tempo exigido para escolher o tipo certo de semente de soja e aplicá-la em uma plantação pode ser longo, além do que o resultado pode não ser o esperado em determinadas condições ambientais. Para conseguir superar esse problema, os pesquisadores Rafael Batistti e Paulo Sentelhas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ), utilizaram simulações de computador para avaliar quais características de soja seriam capazes de aumentar a produtividade nos estados produtores, levando em conta as futuras alterações climáticas que afetariam essas regiões.

Um programa de computador foi utilizado para simular o crescimento de diferentes variedades de soja em 30 locais distribuídos pelos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Foram usados dados sobre os tipos de solo, as condições ambientais e climáticas observados de 1961 até 2014 em cada região. Com base nessas informações, foram previstas e incluídas na análise as mudanças climáticas, tais como aumento de temperatura e da concentração de gás carbônico no ar. Como a alteração nos níveis de chuvas é um fator difícil de prever, foram consideradas para o futuro as mesmas quantidades verificadas entre 1961 e 2014, pois nesse período foram registrados tanto anos úmidos como secos.

O estudo analisou características de soja relacionadas ao crescimento em climas mais quentes e secos, tanto de forma isolada como combinadas entre si. A habilidade de produzir raízes mais profundas, por exemplo, torna as plantas mais capazes de coletar água do subsolo. Outra adaptação envolve transferir a energia usada no desenvolvimento do caule para o crescimento da raiz em épocas de seca, permitindo à planta encontrar fontes subterrâneas de água antes de voltar a crescer. A diminuição da transpiração da planta em situações de pouca umidade, assim como aumento da sua capacidade de fixar nitrogênio também foram testadas. Os pesquisadores incluíram, além disso, a capacidade que algumas variedades de soja têm de produzir menos grãos prematuros na seca.

Foram comparadas, dessa forma, a quantidade de grãos produzida (medida em quilos por hectare) por linhagens de soja comuns com a de plantações possuindo adaptações. A comparação foi feita ao longo das áreas de estudo levando em conta as condições do clima presente e do futuro.

Pesquisador(es) Responsável(eis):

Rafael Batistti – Paulo C. Sentelhas

Instituição(ões):

Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq)

University of Florida, Gainesville

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Universidade Federal de Santa Maria, Frederico Westphalen (UFSM)

Fonte(s) Financiadora(s):

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

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Imagem destacada: Pixabay

Fonte: canalciencia.ibict.br