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A Tribuna (Santos, SP) online

Variação de luz indica presença de poluentes

Publicado em 15 agosto 2005

Batizado com o nome científico de Gerronema viridilucens, o novo fungo foi testado com êxito para avaliar a toxicidade de metais e compostos orgânicos. No futuro, segundo o professor Cassius Vinicius Stevani, esse cogumelo biolumiscente servirá como biossensor em análises toxicológicas de solos contaminados.
"A pesquisa começou há três anos, no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, em Iporanga (SP), a partir do relato de moradores da região ao biólogo João de Godoy, do Instituto de Botânica (IBot) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo", contou.
O pesquisador explicou que a espécie é encontrada na casca de árvores Eugenia fluminensis, da família das mirtáceas, a mesma da pitangueira e jabuticabeira.
"Este fungo cresce só em árvores vivas e emite luz na parte inferior do píleo (o 'chapéu' do cogumelo), ou seja, onde estão as lamelas, produtoras de esporos", explicou.
Para usar o fungo em análises toxicológicas, foram necessários dois anos para obter culturas da espécie em laboratório, com ajuda da professora Marina Capelari, do IBot, que a identificou com Dennis Desjardin, professor da San Francisco State University (EUA).
Segundo Stevani, o fungo emite uma quantidade de luz que pode ser medida. Ao entrar em contato com uma substância tóxica, ocorre uma diminuição na intensidade dessa luz. Quanto menor for a luminosidade, maior será a concentração de material tóxico no terreno.
No Instituto de Química, o Gerronema foi usado como biossensor da toxicidade de cádmio, cobre e pentaclorofenol. No futuro, os estudos servirão para melhorar e planejar novos fungicidas.
"A coleta é difícil, pois só pode ser feita à noite e apenas entre dezembro e março, durante a lua nova", ressaltou o professor. "O corpo de frutificação dura de 24 a 48 horas, perdendo luminosidade e servindo de alimento a caramujos e larvas de moscas".
O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e conta ainda com a ajuda dos professores Marilene Demasi (Instituto Butantã), Silvio Prada e Patricía Sartorelli (Fundação Instituto de Ensino para Osasco).