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Válvula cardíaca é mercado de US$ 10 milhões por ano

Publicado em 19 abril 2002

Por Fabiana Pio
O Brasil é um dos grandes produtores de válvulas cardíacas do mundo, responsável por movimentar mais de US$ 10 milhões por ano. Com uma tradição de mais de 30 anos, o país destaca-se pelo desenvolvimento de tecnologia 100% nacional, exportando para a América Latina e União Européia. Segundo o cardiologista Adib Jatene, tanto as válvulas cardíacas biológicas brasileiras quanto as importadas, 'são muito boas'. "Eu pessoalmente nunca utilizei a válvula biológica da Edwards (uma das mais conhecidas), mas tenho conhecimento da qualidade". De acordo com Jatene, a média de duração da válvula biológica brasileira é de 10 a 12 anos, mas existem pacientes que chegam a utilizá-la por quase 20 anos. Entre os principais fabricantes nacionais desse produto estão as empresas Braile Biomédica, St. Jude Medicai Brasil e LabCor. Para Jarbas Dinkhuysen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardio-Vascular, cerca de 8 a 10 mil doentes cardíacos recebem próteses no País; tanto válvulas biológicas, quanto mecânicas. "Todas as válvulas nacionais são certificadas pelo Ministério da Saúde, e são tão boas quanto as válvulas importadas", afirma. O cirurgião cardiovascular Domingo Braile, professor da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto e da UNICAMP, presidente da Braile Biomédica S/A, foi um dos precursores no desenvolvimento da válvula biológica no País. Em 1973, Braile criou a válvula biológica de pericárdio bovino, e em 1977, a empresa Braile Biomédica começou a comercializá-la. Atualmente, a Braile Biomédica fabrica cerca de 500 válvulas biológicas por mês (de pericárdio bovino e porcina), exportando para a América Latina, além de países como Alemanha, Portugal, Turquia, Rússia, Síria, Tailândia e Paquistão. Sediada em São José do Rio Preto, interior paulista, a Braile Biomédica tem cerca de 300 funcionários e fabrica 300 diferentes produtos utilizados em cirurgias cardiovasculares. Em 2001 a empresa registrou um faturamento de R$ 22 milhões, sendo R$ 4 milhões referentes às vendas de válvulas biológicas, e prevê um crescimento de 20% para o ano de 2002. Segundo Patrícia Braile, diretora da Braile Biomédica, as exportações são responsáveis por 15% da receita anual da empresa. De acordo com a empresa, a Braile Biomédica é líder de mercado no Brasil, e detém 40% do mercado argentino. Segundo Braile, a empresa está desenvolvendo, juntamente com a USP de São Carlos, Unicamp, ITA e com o financiamento da Fapesp, uma válvula cardíaca mecânica de titânio, inédita no mundo. Além disso, está sendo também criada uma nova válvula feita de córnea de atum, resistente à calcificação mesmo em pacientes jovens, em colaboração com a Universidade de Milão. Ambas ainda estão em longo processo de desenvolvimento e testes, não havendo ainda previsão para iniciar a comercialização. Já a St. Jude Medicai Brasil, localizada em Nova Lima, Minas Gerais, e subsidiária da norte-americana St. Jude Medical produz anualmente no Brasil cerca de 9 mil válvulas biológicas, sendo 4.500 válvulas vendidas no mercado brasileiro e outras 4.000 exportadas, principalmente para países da Comunidade Européia. Segundo Ronaldo Pitta, diretor da St. Jude Medicai Brasil, a empresa comercializa cerca de 100 mil válvulas no mundo, entre elas as mecânicas e as biológicas. Para Pitta, a empresa é a maior fabricante mundial de válvulas mecânicas, detendo 85% do mercado brasileiro de válvulas mecânicas e 45% do mercado de biológicas. No Brasil a companhia registrou um faturamento de US$ 20 milhões, em 2001, sendo US$ 10 milhões relacionados às válvulas mecânicas e biológicas. De acordo com ele, a St. Jude Medicai Brasil espera registrar crescimento de 15% a 20%, em 2002. As válvulas biológicas nacionais são comercializadas por R$ 600, devido ao preço tabelado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Queremos elevar esse valor, que mal paga o custo do produto."