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Diário do Comércio (MG) online

Vale investe R$ 72 mi em pesquisa

Publicado em 22 maio 2010

Por Luciana Sampaio

Uma parceria inédita entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais Fapemig e a Vale S/A vai disponibilizar R$ 40 milhões para o desenvolvimento de projetos de pesquisa em universidades e centros de pesquisa nas áreas de mineração, energia, ecoeficiência, biodiversidade e produtos ferrosos para siderurgia. O programa, considerado o maior do gênero no país, tem abrangência nacional e também envolverá a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Pará FAPESPA , que, juntas, receberão R$ 80 milhões.

Ao todo, serão disponibilizados R$ 120 milhões, R$ 48 milhões via iniciativa pública e R$ 72 milhões da Vale. Os projetos contratados poderão utilizar o recurso para a aquisição de equipamentos e material permanente, bolsas, material de consumo, softwares, despesas acessórias de importação, serviços de terceiros, manutenção de equipamentos, consultoria, passagens aéreas e terrestres , diárias e despesas operacionais. Desafio - Segundo o presidente da Fapemig, Mário Neto Borges, o programa de investimentos representa uma interação das mais sólidas entre a iniciativa privada e o poder público para o desenvolvimento da ciência e da inovação.

"Em um evento em Ouro Preto, a Fapemig e os representantes da Vale foram desafiados pelos professores da Universidade Federal de Ouro Preto Ufop a fazer um edital específico para esse fim", afirmou. Ainda de acordo com Borges, o atual momento econômico é bastante oportuno para que esse formato de programa se multiplique com outros parceiros. "Temos a lei federal e a mineira de inovação e sabemos que a competitividade só existe se houver pesquisa e desenvolvimento para criar produtos e serviços inovadores", destacou.

Entretanto, o sucesso dessa empreitada depende da adesão dos centros de pesquisa que, ainda hoje, têm resistência nesse tipo de parceria com a iniciativa privada. Segundo o diretor do Departamento do Instituto Tecnológico Vale, Luiz Mello, além de desenvolver soluções a médio e longo prazo para o negócio da empresa que atua globalmente no segmento de mineração, o programa pretende estreitar os laços de relacionamento com a comunidade científica. "Essa lacuna que ainda existe é um dos entraves para o crescimento do país. Da nossa parte, estamos transformando P D em atitude concreta, na forma de investimentos", pontuou.

Pela própria natureza do setor de mineração e pela longa duração dos projetos, por décadas, a Vale começou a tratar de P D a partir de 1965, de forma centralizada. Em 1997, após a privatização, houve mudança de política e a área, descentralizada, nas unidades. Entretanto, afirmou o executivo, as pesquisas realizadas nesse modelo visam solucionar gargalos produtivos de curto prazo. Paralelamente, a companhia também contrata projetos externos, para atender às suas necessidades. A parceria com a Fapemig segue um caminho distinto.

Segundo executivo, trata-se de apoiar pesquisas de longo prazo, ou seja, para as próximas décadas do negócio. "Desta vez, estamos perguntando aos centros de pesquisa no que eles podem auxiliar o negócio Vale, com pesquisas nas áreas de interesse", ressaltou. O trabalho não termina aí. A Vale vai investir US$ 75 milhões nos próximos dois anos para construir três unidades do Instituto Tecnológico Vale. A mineira ficará em Ouro Preto, região Central do Estado. As negociações com a prefeitura do município, para aquisição do terreno, já estão avançadas. Os outros dois centros ficarão em São José dos Campos e Belém.