Notícia

Monitor Mercantil

Vale espera PIB acima de 6%

Publicado em 11 dezembro 2009

A mineradora Vale ainda acredita num crescimento econômico do Brasil acima de 6% no próximo ano. Para justificar tal previsão, o presidente da empresa, Roger Agnelli, disse que "o Brasil termina o ano de 2009 muito bem e vai crescer no ano que vem acima de 6%. A gente tem que estar feliz, porque saímos à frente da crise".

Para o executivo, a avaliação de que o resultado de 1,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre ante o trimestre anterior veio abaixo das estimativas dos analistas econômicos não muda o quadro. "Se (o crescimento) for zero, não importa, porque comparado com as projeções feitas no início do ano estamos terminando o ano em um cenário muito melhor", ressaltou.

Agnelli ressaltou que o ano de 2009 no país está em uma situação muito melhor do que se poderia sonhar, ante o desastre que foi preanunciado no final de 2008. Ele comentou que em uma recente viagem feita pela Ásia, Europa e Estados Unidos, constatou que apenas no mercado norte-americano ainda não foram registrados sinais consistentes de recuperação.

Mineração

O presidente da Vale também está otimista no que diz respeito a mineração, por entender que "a mineração viverá um momento muito bom" no próximo ano. Não comentou, porém, sobre as perspectivas para as negociações de preços de minério de ferro para 2010.

Nesta quinta-feira foram divulgadas informações da consultoria de Siderurgia Britânica Meps International de que as maiores siderúrgicas e mineradoras do mundo deverão acertar um aumento de 20% para o preço anual de referência do produto a partir do próximo ano.

Da mesma forma, a Baosteel, maior siderúrgica da China em produção, poderá elevar pela primeira vez em quatro meses os preços de produtos siderúrgicos em até US$ 73/tonelada em janeiro, conformo informou o jornal China Daily.

Modernização da malha ferroviária

O presidente da Vale esteve nesta quinta-feira na capital mineira para o lançamento do Instituto Tecnológico Vale (ITV), que prevê investimentos de R$ 120 milhões em parceria com três agências de fomento à Pesquisa no Brasil. A companhia pretende construir uma unidade do ITV em Ouro Preto (MG), especializada na produção de pesquisas científicas em temas de Mineração.

A segunda unidade será instalada em São Paulo, voltada para inovações em energia, em parceria com o centro tecnológico da Vale Soluções em Energia (VSE) em São José dos Campos (SP) e a terceira será implantada em Belém, (PA), para priorizar pesquisas em Desenvolvimento Sustentável. As agências de fomento envolvidas no Programa são as Fundações de Amparo à Pesquisa dos Estados de Minas Gerais (Fapemig), Pará (Fapespa) e São Paulo (Fapesp).

Agnelli espera iniciar "o mais rapidamente possível" as obras para a modernização da malha ferroviária na região metropolitana de Belo Horizonte. O acordo, firmado em novembro, entre a companhia e o Ministério dos Transportes, prevê investimentos de R$ 137,5 milhões na região que, de acordo com o executivo pode ser considerado o "segundo maior gargalo ferroviário do Brasil".

"Queremos fazer logo a licitação e iniciar as obras o quanto antes. O dinheiro está no caixa", disse ele. A expectativa é de que até março de 2010 seja lançada a pedra fundamental do projeto.

Segundo a mineradora, os investimentos serão aplicados em parceria com a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) na redução das interferências das ferrovias em 10 bairros da região metropolitana de Belo Horizonte, a partir da eliminação de passagens em nível, construção de três passarelas, viadutos rodoviários, dois viadutos ferroviários e uma trincheira.

O pedido de licenciamento ambiental já foi protocolado no Ibama. Segundo o executivo, o acordo vem sendo negociado entre a companhia e o governo federal desde 1992. O objetivo do projeto é facilitar a movimentação de cargas entre as regiões Sudeste e Nordeste do País e melhorar a ligação entre as ferrovias Centro-Atlântica e Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

Agnelli anunciou também que a companhia pretende solucionar até o final do ano o tráfego de caminhões de minério de ferro pela BR-040 (que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro). "A partir de janeiro a Vale não vai trafegar mais pela BR-040, mas pretendemos passar por vias paralelas". Os estudos de impacto ambiental deverão ser entregues em janeiro.