Notícia

Notícias Agrícolas

Vale do Paraíba pode tornar-se pólo de produtos fitoterápicos

Publicado em 06 fevereiro 2007

A tendência mundial de utilização de medicamentos fitoterápicos (feitos à base de plantas e utilizados em tratamentos) poderá transformar o Pólo Regional do Vale do Paraíba, em São Paulo, em um centro produtor de matrizes de plantas e mudas medicinais. Isto porque foi aprovado, no final do ano passado, aporte de até R$ 300 mil do Programa de Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para um projeto desenvolvido por pesquisadores do local, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo por intermédio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).
Segundo explica a coordenadora do estudo, pesquisadora Sandra Maria Pereira da Silva, o montante encaminhado pela Fapesp deve ser utilizado para fortalecer a equipe de trabalho, adquirir equipamentos, treinar profissionais e organizar infra-estrutura necessária para uma farmácia municipal de manipulação.
A rede municipal de saúde de Pindamonhangaba já fornece três medicamentos fitoterápicos para a população: creme de Babosa, utilizado em casos de queimaduras; creme de Calêndula, para problemas de pele; e xarope de Guaco e Poejo, ideal para tosse e problemas respiratórios. "Hoje, existe uma tendência de crescimento no uso destes medicamentos naturais em tratamentos de várias doenças. Muita gente prefere os produtos com estes princípios aos elaborados com químicos ou apenas um ativo da planta", afirma Sandra.
Mas até então, diz, era apenas um programa desenvolvido pela Prefeitura de Pindamonhangaba. "Com a criação de uma política pública, a população terá acesso garantido à estes e outros remédios mesmo com uma mudança de prefeito". Ou seja, agora o programa não poderá parar, como ocorreu em algumas cidades brasileiras, que implantaram o sistema e depois abandonaram. O projeto do Pólo Regional também prevê mapear, identificar, diagnosticar e avaliar as ações e organismos institucionais envolvidos com a atividade.

Estrutura de pesquisa pública terá incentivo
Outro estudo aprovado pela Fapesp foi o de desenvolvimento e modelos institucionais para fortalecer a estrutura de pesquisa pública do Estado de São Paulo. A exemplo do anterior, a Fundação também prevê destinar até R$ 300 mil para esta outra pesquisa do Pólo Regional.
Conforme a pesquisadora Luiza Maria Capanema Bezerra, uma das integrantes da equipe responsável, com o projeto será possível elaborar novas pesquisas e políticas públicas para aumentar, por exemplo, o agronegócio na região.
O modelo piloto teve sua primeira atividade em agosto de 2006 com a realização do workshop Prospecção de Demandas Científicas e Tecnológicas para o Desenvolvimento do Agronegócio do Vale do Paraíba. "Os resultados estão em fase de tabulação pelos profissionais envolvidos. Iremos aproximar as instituições dos usuários finais como associações de produtores rurais, agroindustriais, entre outros envolvidos diretamente neste negócio", relata.
O próximo passo é transformar a região em referência de pesquisas tecnológicas e repetir a experiência nos outros 14 Pólos Regionais do Estado.
Além da pesquisadora, estão no projeto a coordenadora dos estudos, professora Maristela Simões do Carmo, da UNESP-Botucatu; a pesquisadora Valeria Comitre, do Instituto de Economia Agrícola, e profissionais da Universidade de Campinas (Unicamp), Embrapa e Centro de Treinamento da Aeronáutica, localizado em São José dos Campos.

Fonte:Jornal do Commercio-RJ / CONAB