Notícia

G1

Vacinação contra Covid-19 avança de forma desigual nas periferias da Grande SP, apontam pesquisadores da USP

Publicado em 23 julho 2021

Por Malu Mazza, Bom Dia SP e G1 SP

Pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP divulgaram nesta quarta-feira (21) um estudo que aponta a desigualdade no ritmo em que a vacinação contra Covid-19 avança em diferentes regiões da Grande São Paulo.

De acordo com os dados colhidos pelo Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LABCidade), através do DataSUS, do Ministério da Saúde, até 12 de julho, quando o estado de SP e a capital paulista já vacinavam pessoas abaixo de 40 anos, lugares mais periféricos e de maior vulnerabilidade socioeconômica tinham uma proporção muito menor de imunizados na faixa de 40 a 49 anos, em relação ao centro expandidos das cidades e a bairros mais ricos.

Segundo os pesquisadores do LABCidade - USP, a adoção de faixas etárias como critério de prioridade no processo de vacinação foi o ponto que desencadeou a desigualdade, uma vez que a expectativa de vida é maior em bairros mais ricos da cidade de São Paulo.

A expectativa do grupo era de que conforme as faixas de idade fossem avançando e pessoas mais novas, que compõem a População Economicamente Ativa (PEA) da Grande SP, fossem vacinadas nas periferias, a diferença entre os índices por região diminuiria. Porém, isso não foi constatado nos dados analisados.

Distritos paulistanos como Consolação, também no Centro, e Pinheiros, na Zona Oeste, que estão entre os 10 em melhor situação socioeconômica na cidade de São Paulo, segundo o Mapa da Desigualdade de 2020, da Rede Nossa São Paulo, na mesma época da análise, eles registravam respectivamente 87,3% e 79,2% da população entre 40 e 49 anos vacinada.

Já nos distritos do Grajaú e Cidade Tiradentes, posicionados entre os 15 em maior vulnerabilidade socioeconômica da capital, foi percebida uma realidade muito diferente, em que menos de 30% do público elegível entre 40 e 49 anos havia recebido a 1ª dose do imunizante contra Covid-19.

O mesmo cenário desigual ocorreu em municípios como Mauá e Santo André, ambos na Grande SP, onde pôde ser constatado um grande contraste entre os altos níveis de vacinação nas regiões centrais e os baixos nas regiões periféricas.

Seguindo por um outro caminho, as cidades de Osasco e Diadema demonstraram ter um avanço mais homogêneo no processo de imunização pelas diferentes partes de seus territórios. Ambas optaram por colocar entre os grupos prioritários algumas categorias de trabalhadores essenciais que não foram contempladas pela capital, como a dos profissionais de limpeza urbana.

Para Raquel Rolnik, coordenadora do estudo do LABCidade da USP, falta de informação, dificuldade de acesso à vacina e medo de se ausentar no trabalho são algumas das possíveis causas para esta desigualdade.

"Podemos ter a disponibilização de postos nos terminais de trens, nos grandes terminais de ônibus, que são lugares de grande circulação, onde as pessoas já passam", diz Rolnik. "Não podemos imaginar que isso vai depender apenas da iniciativa individual de cada um ir procurar a vacina. Na política pública, ela (vacina) também vai até onde as pessoas estão."

Os pesquisadores que elaboraram o estudo afirmam que é necessário a adoção de estratégias mais efetivas para cada contexto e território, de forma que seja possível garantir a vacinação de pessoas que residem nos locais mais expostos ao coronavírus, como comunidades e favelas, e de profissionais que lidam com grande risco de contaminação diariamente.