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Vacinação contra a dengue é ampliada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todos os municípios do RS (26 notícias)

Publicado em 03 de fevereiro de 2026

Imunização passa a abranger todo o território gaúcho a partir de fevereiro; esquema prevê duas doses com intervalo de três meses

A vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos foi ampliada e passa a ser ofertada em todos os municípios do Rio Grande do Sul a partir deste mês. A medida segue decisão recente do Ministério da Saúde e foi anunciada pelo governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (SES).

Até então, a estratégia de imunização estava restrita a 145 municípios gaúchos, definidos com base no histórico de casos da doença. Com a ampliação, a vacinação passa a alcançar todo o território estadual, beneficiando cerca de 630 mil crianças e adolescentes que integram a faixa etária contemplada.

O público elegível deve realizar o esquema vacinal completo, composto por duas doses do imunizante, com intervalo de três meses entre a primeira e a segunda aplicação.

Distribuição das doses

Nesta primeira semana de fevereiro, os municípios começam a receber as vacinas por meio do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). Inicialmente, serão distribuídas 61 mil doses disponíveis em estoque na Secretaria da Saúde.

As datas e os locais de vacinação serão definidos por cada prefeitura, conforme o recebimento do quantitativo destinado ao município. Novas remessas de vacinas devem ser encaminhadas de forma gradual, de acordo com a disponibilidade de lotes enviados pelo Ministério da Saúde.

A SES orienta que a população acompanhe as informações divulgadas pelas administrações municipais e reforça que a vacinação, associada às ações de combate ao mosquito transmissor, é fundamental para a prevenção da dengue.

Estratégia de vacinação no Estado

A estratégia nacional de vacinação contra a dengue foi lançada em maio de 2024. Desde então, o Rio Grande do Sul recebeu aproximadamente 262 mil doses do imunizante. Inicialmente, a vacinação foi direcionada a seis municípios da Região Metropolitana, incluindo Porto Alegre, selecionados com base no número de casos registrados nos últimos dez anos.

Com a ampliação da oferta de vacinas no país, o número de municípios contemplados foi sendo gradualmente expandido, até alcançar os 145 municípios que integravam a estratégia antes da ampliação anunciada neste mês.

Números da campanha

Dados consolidados até dezembro de 2025 apontam que cerca de 168 mil doses já haviam sido aplicadas nos municípios participantes da estratégia. Desse total, 120 mil correspondem à primeira dose e 48 mil à segunda.

Os números reforçam a importância de que crianças e adolescentes que iniciaram a vacinação retornem para completar o esquema vacinal. A aplicação incompleta pode reduzir a eficácia da proteção, enquanto a conclusão das duas doses contribui para diminuir o risco de formas graves da doença e a circulação do vírus no Estado.

Cenário da dengue no RS

Em 2024, o Rio Grande do Sul registrou o pior cenário da dengue em sua série histórica, com 209 mil casos confirmados e 281 óbitos. Já em 2025, houve redução da circulação do vírus, com 44.029 casos e 52 mortes.

Entre os registros do último ano, 2.556 casos ocorreram em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária incluída na estratégia de vacinação. Nesse grupo, não houve registro de óbitos em 2025. Em 2024, três crianças e adolescentes dessa mesma faixa etária morreram em decorrência da doença.

As mortes registradas em 2025 concentraram-se, principalmente, na população com 60 anos ou mais, grupo para o qual ainda não há vacina disponível, totalizando 38 óbitos, o equivalente a 73% do total do ano.

Em 2026, até o momento, o Estado contabiliza 60 casos confirmados de dengue, sendo oito em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, sem registro de mortes.

Prevenção e perspectivas

A eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti segue sendo a principal forma de combate à dengue, à chikungunya e ao zika vírus. A vacinação integra esse conjunto de estratégias, somando-se às ações de controle do vetor, uso de inseticidas e incorporação de novas tecnologias.

Atualmente, a vacina utilizada na estratégia nacional é a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma. Para os próximos meses, está prevista a ampliação da oferta com a incorporação da Butantan-DV, vacina 100% nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan, que tem como diferencial o esquema de dose única.

A nova vacina começou a ser utilizada em janeiro deste ano em municípios-piloto de três estados e, futuramente, deverá ser incorporada de forma gradual ao programa nacional, conforme a disponibilidade de doses, com previsão de ampliação progressiva para a população a partir dos 15 anos.