A partir de Fevereiro, todos os municípios gaúchos passam a ofertar o imunizante para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos
A vacinação contra a dengue entrou em uma nova fase no Rio Grande do Sul. A partir de Fevereiro, todos os municípios gaúchos passam a ofertar o imunizante para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A ampliação foi confirmada pelo governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul (SES), após decisão do Ministério da Saúde.
Até então, a estratégia de imunização estava concentrada em 145 municípios considerados prioritários, definidos a partir do histórico de casos da doença. Agora, com a nova diretriz, a vacina passa a alcançar todo o território gaúcho, beneficiando cerca de 630 mil crianças e adolescentes dentro da faixa etária elegível.
Segundo a SES, o esquema vacinal segue inalterado. O público-alvo deve receber duas doses da vacina, com intervalo de três meses entre a primeira e a segunda aplicação. A orientação é que as famílias acompanhem os comunicados das prefeituras, que definirão datas, locais e horários de vacinação conforme o recebimento das doses.
Distribuição começa em fevereiro
O abastecimento dos municípios terá início nesta primeira semana de fevereiro. A distribuição será feita pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), que irá encaminhar inicialmente 61 mil doses disponíveis em estoque na SES.
A entrega ocorrerá de forma gradual. Novas remessas serão enviadas conforme a chegada de lotes encaminhados pelo Ministério da Saúde. Cada prefeitura ficará responsável por organizar a estratégia local de aplicação das doses assim que receber seu quantitativo.
Importância do esquema completo
Dados da SES mostram que, até dezembro de 2025, cerca de 168 mil doses da vacina contra a dengue já haviam sido aplicadas no Rio Grande do Sul. Deste total, aproximadamente 120 mil correspondem à primeira dose, enquanto 48 mil foram de segunda dose.
As autoridades de saúde reforçam que a conclusão do esquema vacinal é fundamental. A aplicação incompleta pode reduzir a eficácia do imunizante. Já o recebimento das duas doses fortalece a resposta do organismo, diminui o risco de formas graves da doença e contribui para reduzir a circulação do vírus no Estado.
Dengue teve cenário histórico no RS
O reforço na vacinação ocorre após um período crítico enfrentado pelo Rio Grande do Sul. Em 2024, o Estado registrou o pior cenário de dengue de sua série histórica, com mais de 209 mil casos confirmados e 281 óbitos.
Em 2025, houve redução significativa da circulação do vírus, com 44.029 casos e 52 mortes. Entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, foram registrados 2.556 casos no último ano, sem ocorrência de óbitos. Em contraste, em 2024, três crianças e adolescentes dessa mesma faixa etária morreram em decorrência da doença, o que reforça a relevância da vacinação preventiva.
Já em 2026, até o momento, o Estado contabiliza 60 casos confirmados de dengue, sendo oito em crianças e adolescentes, também sem registro de mortes. Mesmo com números menores, o alerta das autoridades permanece.
Combate ao mosquito segue essencial
A SES destaca que a vacinação é apenas uma das frentes de enfrentamento da dengue. A eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal medida de prevenção, assim como ações de vigilância, uso de inseticidas e incorporação de novas tecnologias de controle do vetor.
As mortes registradas em 2025 concentraram-se, em sua maioria, na população com 60 anos ou mais — grupo para o qual ainda não há vacina disponível no Sistema Único de Saúde.
Novas vacinas no horizonte
Atualmente, o imunizante utilizado na estratégia nacional é a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma. No entanto, o Ministério da Saúde já projeta a ampliação da oferta com a incorporação de uma nova vacina 100% nacional.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV tem como diferencial o esquema de dose única, o que pode facilitar a adesão da população às campanhas de imunização. A vacina começou a ser aplicada em janeiro deste ano, de forma piloto, em municípios de São Paulo, Ceará e Minas Gerais, para pessoas entre 15 e 59 anos.
A expectativa é que, conforme a produção avance, a vacinação seja ampliada gradualmente em todo o país, começando pelas faixas etárias mais altas e avançando até alcançar o público a partir dos 15 anos.
Enquanto isso, a SES reforça: vacinação em dia e cuidados constantes contra o mosquito seguem sendo as principais armas para evitar novos surtos da dengue no Rio Grande do Sul.