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Jornal de Jundiaí online

Vacina será testada em humanos em 2011

Publicado em 27 julho 2010

Em 2011 poderão acontecer os primeiros testes em seres humanos de uma vacina brasileira contra a bactéria precursora da febre reumática, doença autoimune que provoca problemas cardíacos em cerca de 15 milhões de criança todo ano.No Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, os testes com camundongos mostraram que a vacina imunizou de 80% a 100% dos animais. Para que a expectativa se concretize em 2011, os cientistas precisam enviar a documentação à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e esperar a resposta do órgão.

Segundo a médica Luiza Guilherme, que está a frente do projeto, a vacina é fruto de uma pesquisa de 20 anos no Incor que custou cerca de R$ 10 milhões à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. O medicamento precisa passar por pelo menos três fases de testes antes de chegar ao mercado, o que deve custar R$ 6 milhões nos próximos anos. Os testes, feitos com voluntários, vão mostrar com qual intensidade a vacina é capaz de induzir resposta no corpo humano e as reações que pode provocar.

A febre reumática é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico causa dores nas articulações e passa a destruir válvulas do coração. Ela atinge principalmente crianças e adolescentes de países pobres e começa com uma infecção na garganta pela bactéria Streptococcus pyogenes. Se a infecção não é tratada, entre 1% e 5% das crianças adquirem dores nas articulações. Dessas, entre 30% e 40% vão desenvolver problemas cardíacos. Os problemas acontecem por que as células do sistema imune aprendem a combater a proteína M, presente na superfície do S. pyogenes, mas a confundem com proteínas do coração e articulações.

Para fazer uma vacina contra a bactéria, os cientistas do Incor passaram a procurar por um trecho que sensibilizasse as células de defesa (linfócitos T e B) contra a bactéria. Para isso, escolheram uma região de 100 aminoácidos na base da proteína M, mais próxima ao estreptococo. Essa base varia muito pouco nas cerca de 200 cepas (o equivalente bacteriano a raças) do S. pyogenes e não induz os linfócitos a destruírem proteínas do corpo humano.

Os cientistas fizeram 79 peptídeos (pedaços de proteína) muito parecidos, cada um com 20 aminoácidos da região selecionada. Enquanto isso, recolheram amostras de linfócitos T de 260 pessoas e soro do sangue, que mede a reatividade dos linfócitos B, de 620 pessoas. Eles passaram os anos de 2005 e 2006 testando cópias dos 79 peptídeos nas 880 amostras. No total, foram 69.520 análises. Depois dos testes, os pesquisadores encontraram na proteína M um trecho capaz de induzir o corpo a produzir anticorpos contra a bactéria e passaram a testá-la em animais.

(Fonte: Agência USP)