A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan demonstrou capacidade de reduzir a carga viral em pessoas que se infectam mesmo após a imunização, o que pode representar um avanço importante no controle da transmissão da doença no país.
Resultados de um estudo recente indicam que indivíduos vacinados que apresentaram infecção pelo vírus da dengue tiveram níveis menores de replicação viral no organismo quando comparados aos que não receberam a vacina. Esse fator é considerado estratégico do ponto de vista da saúde pública, já que uma carga viral mais baixa diminui a chance de o vírus ser transmitido ao mosquito Aedes aegypti, principal vetor da doença.
A pesquisa analisou amostras de sangue de voluntários que participaram da fase 3 dos ensaios clínicos da vacina, incluindo casos conhecidos como “infecções de escape”, quando a pessoa adoece mesmo após a vacinação. Os dados mostram que, além de proteger contra formas graves da dengue, o imunizante pode contribuir para reduzir a circulação do vírus na população.
Especialistas ressaltam, no entanto, que novos estudos ainda são necessários para confirmar o impacto direto da vacina na diminuição da transmissão comunitária da doença. Mesmo assim, os achados reforçam o potencial da Butantan-DV como uma ferramenta importante no enfrentamento das epidemias de dengue.
A vacina foi aprovada recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a expectativa é que passe a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2026, contemplando pessoas entre 12 e 59 anos. Ensaios clínicos realizados em diferentes regiões do Brasil apontaram alta eficácia, especialmente na prevenção de casos graves e hospitalizações.
Outro ponto destacado pelo estudo é que a vacina não estimulou o surgimento de variantes mais resistentes do vírus, afastando preocupações sobre possíveis efeitos indesejados na evolução genética do patógeno.
Com a ampliação das estratégias de vacinação, autoridades de saúde esperam reduzir o impacto da dengue no Brasil, que enfrenta ciclos recorrentes de surtos e sobrecarga no sistema de saúde, especialmente nos períodos de maior circulação do mosquito transmissor.
@politicaetc