Imunização de dose única será iniciada em cidades-piloto pelo SUS e mira público de 15 a 59 anos, com produção 100% nacional
A vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan começará no próximo dia 17 de janeiro em cidades-piloto, marcando um novo passo do Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento à doença. A aplicação inicial será realizada em Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) a partir do dia 17, e em Botucatu (SP) no dia 18, com foco na população de 15 a 59 anos e com o objetivo de alcançar ao menos 50% de cobertura nesses municípios.
Trata-se da primeira vacina contra a dengue de dose única, com produção 100% nacional, que passa a ser incorporada ao SUS após a assinatura de contrato entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan. O acordo garante a aquisição inicial de 3,9 milhões de doses, com investimento de R$ 368 milhões, ampliando a capacidade de resposta do país diante de uma das principais arboviroses em circulação no Brasil.
Vacinação começa em cidades-piloto e será ampliada
Nesta primeira etapa, parte das 1,3 milhão de doses já produzidas será destinada à estratégia de vacinação nos municípios selecionados e também aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, que atuam diretamente nas unidades básicas e em visitas domiciliares. Segundo o Ministério da Saúde, “para essa estratégia, será utilizada uma parte das primeiras 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan”.
A definição do público-alvo — pessoas entre 15 e 59 anos — segue recomendação técnica e leva em conta o perfil epidemiológico da dengue e a disponibilidade inicial do imunizante. Com o aumento da produção, a vacinação será gradualmente ampliada para outras faixas etárias e regiões do país.
Eficácia, segurança e produção nacional
Além da inovação logística proporcionada pela dose única, estudos científicos reforçam a eficácia e a segurança da vacina. Pesquisa publicada em revista científica The Lancet Regional Health – Americas demonstrou que o imunizante reduz significativamente a carga viral em pessoas que eventualmente contraem dengue após a vacinação, o que está associado a quadros menos graves da doença.
“O estudo principal da fase 3 já havia apontado uma incidência menor de dengue grave na população imunizada. Agora, essas análises reforçam a capacidade da vacina de atenuar a infecção”, afirmou o infectologista e gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Instituto Butantan, Érique Miranda.
Os dados de acompanhamento de cinco anos com cerca de 16 mil voluntários indicaram 74,7% de eficácia geral contra a dengue e 91,6% de eficácia contra formas graves e com sinais de alarme, dentro da faixa etária aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 12 a 59 anos.
A incorporação da vacina nacional ocorre em um contexto de fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde, com investimentos públicos, transferência de tecnologia e parcerias internacionais para ampliar a produção. A expectativa do Ministério da Saúde é que, com a expansão da capacidade produtiva, a vacinação possa ser estendida progressivamente a todo o país, reforçando a prevenção e reduzindo os impactos da dengue sobre o SUS.