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Vacina de Oxford passa na primeira fase de teste em humanos

Publicado em 04 agosto 2020

Por Carlos Fioravanti | Revista Pesquisa FAPESP

A AZD1222, candidata a vacina contra a Covid-19, apresentou resultados positivos na primeira fase de testes clínicos. De acordo com o artigo publicado na revista médica The Lancet em 20 de julho, a formulação – elaborada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e desenvolvida pela empresa farmacêutica britânica AstraZeneca – ativou a produção de anticorpos e células de defesa. A proteção contra o vírus persistiu por pelo menos 56 dias e não apresentou efeitos colaterais relevantes nas 1.077 pessoas saudáveis com idade entre 18 e 55 anos que participaram do estudo. Os resultados indicam que a formulação poderia ser usada para prevenir a infecção se os próximos testes, a serem feitos no Brasil e na África do Sul, confirmarem essas propriedades.

Embora não se saiba qual o nível de anticorpos necessário para a proteção contra o Sars-CoV-2, causador da Covid-19, e o estudo não tenha envolvido as pessoas com mais de 60 anos, que formam o principal grupo de risco à infecção, essa candidata à vacina “parece estar se comportando exatamente como pensamos”, comentou a imunologista Sarah Gilbert, do Jenner Institute de Oxford, que participou do trabalho, ao jornal britânico The Guardian.

“Os resultados dos testes na fase 1/2 da vacina de Oxford são tão bons quanto se poderia razoavelmente esperar e confirmam o uso anterior do vetor [um adenovírus] como plataforma geral de vacinas”, comentou o virologista Ian Jones, da Universidade de Reading, no Reino Unido, ao site Science Media Centre. O também virologista Jonathan Ball, da Universidade de Nottingham, destacou: “Ainda que encorajador, existe um longo caminho a percorrer antes que possamos anunciar a chegada de uma vacina bem-sucedida contra o coronavírus”.

Artigo científico

FOLEGATTI, P. M. et al. Safety and immunogenicity of the ChAdOx1 nCoV-19 vaccine against Sars-CoV-2: A preliminary report of a phase 1/2, single-blind, randomised controlled trial. Lancet. on-line. 20 jul. 2020.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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