ma vacina desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) promete melhorar a vida de pacientes com dermatite atópica, doença inflamatória crônica que provoca coceira e lesões na pele. A pesquisa finalizada em junho de 2020 recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O resultado foi publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology: in Practice.
O tratamento foi feito com extrato de ácaros encontrados na poeira domiciliar e se mostrou eficaz na redução de sinais e sintomas. Os pesquisadores estudaram os efeitos da imunoterapia, aplicada em gotas sob a língua dos pacientes durante 18 meses. A imunoterapia consiste na administração de vacinas produzidas com os próprios agentes causadores de alergia (alérgenos), em doses crescentes, a fim de reduzir a sensibilização e induzir a tolerância na pessoa alérgica a substâncias como ácaros, pólen e veneno de insetos.
O ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo – considerado padrão ouro para avaliar a eficácia de fármacos foi conduzido na Unidade de Pesquisa Clínica do hospital da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Um grupo de 66 pacientes recebeu placebo ou imunoterapia sublingual com extrato de ácaros da poeira domiciliar três dias por semana durante 18 meses. Eles foram acompanhados pela médica Sarah Sella Langer, pós-graduanda na USP e a primeira autora do artigo.
“Já havia estudos que mostravam que a imunoterapia para ácaro funciona bem em casos de rinite, conjuntivite e asma alérgica, mas para dermatite atópica os resultados ainda eram conflitantes, principalmente quando o tratamento era feito com injeções subcutâneas. Depois que surgiu a imunoterapia sublingual, que tem menos risco de causar efeitos adversos resolvemos pesquisar e vimos os resultados positivos”, afirma a professora Luisa Karla de Paula Arruda, uma das orientadoras da pesquisa.
Para a pesquisa, nos três primeiros meses de indução, as diluições foram preparadas na proporção de 1:1 milhão volume:volume, progredindo para 1:100 mil v:v; 1:10 mil v:v até chegar a 1:10 v:v, dose mantida por 15 meses. A solução placebo era idêntica ao diluente do extrato e tinha o mesmo esquema de administração.
Após o período dos estudos – concluído em junho de 2020 - a coceira e as lesões na pele diminuíram e, em alguns casos, quase desapareceram, sendo raros os efeitos colaterais – foram registradas apenas reações locais leves e transitórias.
Dermatite atópica
A doença causa inflamação da pele, levando a coceira e lesões cutâneas, que podem se tornar espessas e formar crostas. Afeta principalmente as dobras dos braços e das pernas, podendo estar associada a asma ou rinite alérgica. Alguns fatores ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença em pessoas com predisposição genética, como alergia a ácaros, pólen, mofo, animais de estimação e exposição a produtos químicos e de limpeza. Baixa umidade do ar, frio intenso, calor, transpiração e estresse ajudam a piorar a doença. Infecções da pele por bactérias, como Staphylococcus aureus, e também por vírus e fungos são comuns devido a um defeito na barreira cutânea, podendo agravar os sintomas. Não há dados precisos sobre a prevalência da dermatite atópica. Estima-se que pode variar de 0,2% a 20% da população. No entanto, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que cerca de 30% das pessoas no mundo apresentam algum tipo de alergia, sendo rinite e asma alérgicas os mais comuns.
Com informações da Agência FAPESP