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O Estado do Paraná online

Vacina contra HPV para homens

Publicado em 09 maio 2010

Agência Fapesp

Os estudos de vacinas profiláticas contra o HPV (papilomavírus humano) ensejaram uma série de questionamentos envolvendo homens e mulheres e se há necessidade de a vacina ser ou não administrada em pessoas de ambos os sexos.

O Ministério da Saúde discute uma eventual recomendação para a inclusão da vacina contra o HPV no programa nacional de vacinação, pelo Sistema Único de Saúde. Mas há dúvida se devem ser vacinadas apenas mulheres ou, então, mulheres e homens.

Formado por um grupo de mais de 100 tipos, o HPV pertence ao rol das doenças sexualmente transmissíveis, mas, na maioria das vezes, a infecção é transitória e desaparece sem deixar vestígios.

Sua capacidade oncogênica é que preocupa os especialistas considerados de alto risco, os tipos 16 e 18 são os mais frequentes em cânceres do colo do útero e anal.

"Se eliminarmos a maior parte dos tipos de alto risco, vamos caminhar para a diminuição ou mesmo erradicação das doenças ligadas ao HPV", disse Luisa Lina Villa, coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV (INCT-HPV), durante o Simpósio Internacional de Pesquisa em HPV, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, na semana passada. O INCT-HPV tem apoio da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em 2006, uma vacina quadrivalente recombinante contra o papilomavírus humano que estimula a produção de anticorpos específicos para os tipos 6,11,16,18, sendo os dois primeiros de baixo risco foi a primeira a ser liberada.

Dois anos depois, entrou em cena a vacina bivalente, que protege contra os tipos 16 e 18 do vírus. Em mais de 40 países optou-se por fazer uso do imunizante em programas públicos de vacinação. Em outros, incluindo o Brasil, esse tipo de programa acabou não sendo implementado, o que deverá ocorrer em breve.

A vacina quadrivalente (MSD) foi aprovada no Brasil para mulheres de 9 a 26 anos, faixa etária em que foram realizados os primeiros estudos de fase 3, que mediu a eficácia do produto.

Recentemente, o imunizante demonstrou eficácia em mulheres de até 45 anos, e está sendo avaliada a eficácia em homens de 16 a 23 anos, incluindo os grupos dos que fazem sexo com mulheres ou que se relacionam sexualmente com homens. Uma das razões para os testes em homens é que o HPV também pode estar associado a casos de câncer de pênis e câncer anal.

"Ainda há controvérsia em torno da melhor relação custo-benefício na vacinação apenas de mulheres e na vacinação com mulheres e homens. Penso que, se ampliássemos a vacinação, iríamos acelerar a diminuição da doença. Não há motivos para atrasar um processo que trará benefícios para a humanidade", disse Luisa, que também é professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, à Agência Fapesp.

O virologista norte-americano Raphael Viscidi, professor da Universidade Johns Hopkins, não vê necessidade de se estender a vacinação para os homens, uma vez que, segundo ele, o câncer de pênis, por exemplo, é 20 vezes mais raro do que o cervical, doença que mata anualmente pelo menos 290 mil mulheres no mundo.

"Não há necessidade de se vacinar os homens contra a infecção pelo HPV, mas sim prevenir a ocorrência das doenças associadas a ele", afirmou Viscidi durante o Simpósio Internacional de Pesquisa em HPV. A reserva do pesquisador, segundo ele, pode ser explicada pelo fato de a vacina ainda ter taxas de aceitação e cobertura baixas nos Estados Unidos. Mais informações: www.incthpv.org.br.