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Moreira Jr Editora

Vacina contra HIV

Publicado em 11 março 2011

Do USP online

Um avanço na direção de uma vacina contra o vírus HIV, causador da Aids, acontece em pesquisa com a participação da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Os pesquisadores criaram um modelo de vacina que atua na resposta imune das células-alvo do HIV e em maior número de partes do vírus, que apresentou características semelhantes a de vacinas altamente protetoras. Os testes com modelos animais, realizados no Instituto de Investigação em Imunologia (iii-INCT), sediado na FMUSP, estão em andamento . O objetivo é que até o final do ano seja possível verificar se a vacina tem efeito protetor, caso em que poderia começar a ser testada em seres humanos.

Testes da vacina em modelos animais encontram-se em andamento

O professor Edécio Cunha-Neto, que coordena as pesquisas, conta que ainda não existe uma vacina eficaz contra o HIV que possa ser usada em larga escala. "Em quase todos os testes, registrou-se baixa cobertura, ou seja, a resposta imune acontecia apenas em uma pequena fração dos pacientes que recebiam a vacina", diz o professor da FMUSP. Mesmo nas pessoas imunizadas, o grau de imunidade conseguido era fraco. "Em 2007, um estudo demonstrou que as células imunes dos vacinados reconheciam apenas três pequenas partes do HIV,o que era muito pouco para proteção, devido às constantes mutações do vírus."

Os estudos procuraram identificar as lacunas das vacinas já testadas e quais características seriam desejáveis para uma imunização mais eficaz. "A resposta imune deveria atingir um maior número de partes do HIV, especialmente as partes conservadas, que não sofreram mutações", ressalta Edécio. "Essa resposta deve ser ampla em cada individuo, mesmo em uma população com características genéticas muito diferentes, que determinam quais partes do virus serão alvo da resposta imune ".

Vacina: A partir destas conclusões, partiu-se para um desenho racional de vacina. "Escolheram-se partes muito conservadas do HIV para induzir resposta imune e por meio de um programa de computador, identificou-se as regiões reconhecidas pelo TCD4, capazes de ser reconhecidos por células T de pessoas com múltiplas constituições genéticas diferentes", diz Edécio. "Em contato com células do sangue de pacientes infectados pelo HIV, o reconhecimento chegou a 90% dos pacientes, mostrando sua eficácia em ser reconhecido por pessoas com constituições genéticas muito variadas."

Os resultados são descritos em artigo publicado no site científico PLoS One em fevereiro último. O trabalho teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Ministério da Saúde e Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia (ICGEB).

Os testes serão realizados em macacos Rhesus, que são infectados pelo SIV, vírus que originou o HIV, e em camundongos modificados que possuem sistema imune semelhante ao dos seres humanos. "Os experimentos estão em andamento e espera-se que até o final do ano se confirme a existência de efeito protetor, permitindo futuros testes em seres humanos", planeja Edécio. A vacina experimental, totalmente desenhada, projetada e desenvolvida por uma equipe brasileira, é protegida por uma patente na qual a Fundação Zerbini, ligada a FMUSP, USP e o Ministério da Saúde são os depositários.

Mais informações: edecunha@usp.br

Palavras chave: aids, genética, HIV, medicina, vacina