Parceria com laboratório chinês permitirá ampliar a imunização de dose única do Instituto Butantan em todo o território nacional
Vacina contra a dengue começa a ser aplicada em janeiro
A vacinação contra a dengue em dose única começa a ser aplicada no Brasil a partir deste mês, com a distribuição das primeiras doses em três cidades: Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP). A iniciativa do SUS (Sistema Único de Saúde) utiliza o imunizante de dose única desenvolvido pelo Instituto Butantan.
O início está previsto para a partir de 17 de janeiro, e nesta primeira fase, atenderá pessoas de 15 a 59 anos. A ideia é avaliar os resultados com a imunização de pelo menos 50% dos moradores desses municípios.
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“Para essa estratégia, será utilizada uma parte das primeiras 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan”, afirmou o Ministério da Saúde, em nota.
Vacina contra a dengue será ampliada gradualmente no país
O primeiro lote também será destinado aos profissionais da atenção primária, que atuam nas UBS (Unidades Básicas de Saúde).
Segundo o ministério, com o aumento da produção de doses, a partir da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a estratégia será gradualmente ampliada para todo o país.
A ideia de imunizar contra a dengue é começar pela população de 59 anos e avançar até o público de 15 anos, conforme a disponibilidade de doses.
Atualmente, o SUS oferece a vacina em duas doses (produzida no Japão) para adolescentes de 10 a 14 anos.
Eficácia da vacina contra a dengue
O Instituto Butantan divulgou, nesta semana, que a vacina de dose única contra a dengue poderá ajudar a reduzir a quantidade de vírus em pessoas infectadas pelo patógeno, além de manter eficácia contra os diferentes genótipos do vírus circulantes no Brasil.
A conclusão surgiu de uma pesquisa tornada pública pela revista The Lancet Regional Health – Americas.
Baixas cargas virais provocam, em geral, quadros menos graves. No levantamento, os pesquisadores analisaram amostras de 365 voluntários que tiveram dengue sintomática entre 2016 e 2021 em 14 estados do Brasil.
O estudo da vacina contra a dengue comparou dados dos grupos de vacinados e o de não vacinados.
Segundo a pesquisa, apesar de algumas pessoas terem sido infectadas após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi consideravelmente menor do que em participantes não imunizados.
Isso, conforme avaliaram os pesquisadores, demonstrou a eficácia da vacina contra a dengue em induzir resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.
A vacina contra a dengue foi desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada pela Anvisa após análise dos dados de cinco anos de acompanhamento dos 16 mil voluntários participantes do ensaio clínico.
No público de 12 a 59 anos, faixa etária indicada pela agência reguladora, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme.
Sintomas e tratamento contra a dengue Sintomas
De acordo com o Ministério da Saúde, todo indivíduo que apresentar febre (39°C a 40°C) de início repentino e apresentar pelo menos duas das seguintes manifestações – dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos – deve procurar imediatamente um serviço de saúde, a fim de obter tratamento oportuno.
No entanto, após o período febril deve-se ficar atento. Com o declínio da febre (entre 3° e o 7° dia do início da doença), sinais de alarme podem estar presentes e marcar o início da piora no indivíduo. Esses sinais indicam o extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos e/ou hemorragias, sendo assim caracterizados:
dor abdominal (dor na barriga) intensa e contínua;
vômitos persistentes;
acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico);
hipotensão postural e/ou lipotímia;
letargia e/ou irritabilidade;
aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia) maior 2cm;
sangramento de mucosa; e
aumento progressivo do hematócrito.
Tratamento
Segundo com o Ministério da Saúde, o tratamento é baseado principalmente na reposição de líquidos adequada. Por isso, conforme orientação médica, em casa deve-se realizar:
repouso;
ingestão de líquidos;
não se automedicar e procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou surgimento de pelo menos um sinal de alarme;
retorno para reavaliação clínica conforme orientação médica.
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