Notícia

Suzano TV

Vacina contra Covid-19 produzida com a USP encerra mais uma fase com resultados promissores (138 notícias)

Publicado em 17 de julho de 2025

Diário do Comércio (MG) online Diário do Comércio (MG) online Diário do Comércio (MG) online Diário do Comércio (MG) online Região Noroeste Plantão News (MT) Jornal Floripa Jornal Floripa Jornal Floripa Jornal Floripa SB Notícias (Santa Bárbara d'Oeste, SP) BN - Bahia Notícias SnifBrasil Portal do Holanda Gizmodo Portal R3 O Liberal (Americana, SP) online Jornal da USP online Jornal da USP online Jornal da Manhã (Uberaba, MG) online ABC do ABC Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais Voz da Bahia Vitória News Tabocas Notícias Rádio Itatiaia 610 AM | 95,7 FM Rádio Itatiaia 610 AM | 95,7 FM O Sul online Tribuna do Sertão Repórter PB Panorama Farmacêutico Minas1 Outras Palavras Ponta Porã Informa Portal do Zacarias Toda Bahia Jornal Z Norte online Jornal Estação online JB NEWS Rádio Agência Nacional (EBC) Marília Notícia Bahia.ba Gazeta de S. Paulo online Bahia Econômica Jornal Extra de Alagoas online Guarulhos Hoje online Pirajuí Rádio Clube Ab Notícias News TV Pampa No Olhar Digital Atual MT Jornal Correio do Sul TV O Otimista online MaisConhecer.com Emergência 190 BNews ICTQ - Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Notícias de SantaLuz Jornal de Itatiba online Jornal Panorama online Minuto MT Opinião Play Jornal do Vale (Ceres, GO) online Biblioteca Jurídica Ruetir Infofix MCTI - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Folha de Iperó Brand News Pimenta Virtual Rádio Pampa FM 97,5 Sociedade Online Rede Hits FM LÍDER.INC Jornal Cidadã Jornal de Capela Veja Bem MT Flipboard Brasil Varela Net Radar Digital Brasília Cenário News Sampi Mais Top News Jornal Metrópole (Guarulhos, SP) online THMais Batatais 24h Rede Hoje Blog do Paulo Pereira Jornal da Cidade (Governador Valadares, MG) online Jornal da Cidade (Governador Valadares, MG) online Band News Contract Pharma Brasil Jornal Comunicação Ativa (SP) Portal Âncora 1 Diário de Ribeirão Branco Rodani FM O Jornal de Batatais Rede 98 Live Castilho SP Pura Vibe Namastê Itabira em Dia Folha Zona Leste Portal Pará Hoje ABC Portal Brejo News Portal Cidade Luz

Pesquisadores do Centro de Pesquisas em Biotecnologia CT-Vacinas, em Minas Gerais, finalizaram recentemente os ensaios clínicos de fase 2 de uma vacina contra a Covid-19 com resultados animadores. Testada em 319 voluntários ao longo de 12 meses, o imunizante, desenvolvido em parceria com a USP, se mostrou seguro e eficaz contra diferentes variantes do sars-cov-2. Agora os cientistas aguardam o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a terceira fase de testes em humanos, que será feita em cerca de 5 mil participantes. O objetivo é confirmar as evidências preliminares coletadas nos ensaios anteriores.

A SpiN-Tec, como foi chamada, começou a ser idealizada em 2020, quando a imunologista Julia Teixeira de Castro iniciou o seu doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Inicialmente, Julia trabalhava no desenvolvimento de uma vacina contra a doença de Chagas mas, por conta do aumento de casos de covid-19, seus esforços foram redirecionados. A partir daí, a pesquisadora trabalhou na criação de um imunizante totalmente nacional que oferecesse proteção independentemente do surgimento de novas variantes. A pesquisa foi feita sob orientação de Ricardo Gazzinelli, professor associado da FMRP e coordenador do CT-Vacinas (ligado à Universidade Federal de Minas Gerais e à Fundação Oswaldo Cruz – Minas).

“O que fizemos foi desenhar uma vacina que induz majoritariamente uma imunidade celular, que é uma imunidade capaz de identificar regiões do vírus mesmo após o surgimento de mutações”, explica Julia ao Jornal da USP. No caso, esta vacina de proteína recombinante induz a uma resposta mediada pelos linfócitos T, um tipo de célula de defesa do sistema imunológico que é ativada contra invasores intracelulares, como os vírus.

A proteína quimérica contém as sequências das proteínas do nucleocapsídeo (N) e da spike (S) do sars-cov-2. “É a primeira vez que uma vacina totalmente desenvolvida no Brasil chega nesse estágio”, comemora Julia.

Gazzinelli salienta que, além de ter tecnologia brasileira, a SpiN-Tec é uma vacina com baixo custo de produção. “Ela mostrou ter estabilidade de 24 meses a 4ºC, ou seja, pode ser mantida em um refrigerador comum.”

Escolha baseada em evidências

A maioria das vacinas disponíveis atualmente são baseadas apenas na proteína spike (S) – um importante componente do vírus que age como uma “chave” para entrar nas células humanas e se replicar – e na geração de anticorpos neutralizantes, responsáveis por inativar o vírus que infecta o organismo. Mas, à medida que a pandemia avançava, especialistas em vigilância começaram a observar diferentes mutações relacionadas à spike, que aumentavam a taxa de transmissão do vírus e causavam um escape desses anticorpos das vacinas e medicamentos.

“No início da pandemia, as vacinas funcionaram muito bem, conferiam um grau de proteção que chegava a 90%. Mas, com o aparecimento das variantes, essa eficácia foi caindo e hoje ela está em torno de 40%”, explica Gazzinelli.

Por outro lado, os estudos indicavam que a proteína do nucleocapsídeo (N) permaneceu praticamente inalterada ao longo do tempo e que ela poderia ser um alvo para o desenvolvimento de uma vacina que produzisse uma imunidade robusta.

Para confirmar as hipóteses, a primeira fase do trabalho envolveu estudos in silico – com simulações computacionais. Este tipo de análise agrupa, interpreta e compreende informações utilizando ferramentas de biologia, matemática, computação e áreas correlatas.

Julia fez um estudo de predição de epítopos – uma técnica em que algoritmos consideram a estrutura das proteínas para prever regiões com maior probabilidade de interação com o sistema imune. “Para chegar ao desenho da proteína partimos para essa abordagem e vimos que tínhamos realmente esses dois bons alvos [as proteínas S e N]”, diz. “Em seguida, unimos regiões dessas proteínas em uma sequência única e produzimos em escala laboratorial, em quantidade pequena para começar os testes.”

Nos testes in vitro, amostras de sangue periférico de pacientes imunizados com Coronavac ou convalescentes foram coletadas e os cientistas verificaram que a proteína SpiN, utilizada na SpiN-Tec, foi reconhecida por linfócitos T de memória.

Hamsters e camundongos receberam duas doses da vacina em um intervalo de 21 dias e, depois, foram infectados com sars-cov-2. Os hamsters imunizados com a Spin apresentaram uma alta produção e IgA e IgG, dois tipos de anticorpos produzidos pelo sistema imunológico para combater infecções. Já em camundongos protegidos, a formulação se mostrou eficaz em induzir a produção de interferon gama (IFN-γ, proteínas do sistema imune) mediados pelas células de defesa linfócitos T CD4+ e T CD8+.

Os ensaios de proteção foram realizados no Laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB-3) do Centro de Pesquisa em Virologia da FMRP na USP. Foram utilizados camundongos transgênicos e hamsters, modelos preparados para simular uma covid-19 grave e moderada, respectivamente. Após a aplicação do imunizante e a infecção pelo vírus (variantes de Wuhan, delta e ômicron), os animais ficaram protegidos. A proteção foi demonstrada através da manutenção do peso corporal, 100% de sobrevida, diminuição de carga viral pulmonar e cerebral e ausência de patologia pulmonar.

“Um animal infectado sem a imunização perde peso e morre ao longo de dez a 15 dias por causa da infecção”, explica Julia. “Então o primeiro parâmetro óbvio era perda de peso e mortalidade.”

Pós-doutorado

Caso seja aprovado pela Anvisa, Julia acompanhará a próxima fase de testes clínicos e voltará a trabalhar com seu projeto original.

O trabalho da imunologista ganhou o Prêmio Teses Destaque USP 2024 na categoria Inovação. A tese Desenvolvimento de proteína quimérica e avaliação de seu potencial vacinal contra covid-19 pode ser lida aqui