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Vacina contra Covid-19 desenvolvida com a USP avança com resultados positivos em nova fase de testes (138 notícias)

Publicado em 20 de julho de 2025

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Imunizante se mostrou seguro e eficaz ao fim da segunda etapa de testes clínicos, mas ainda é necessário testá-lo em um maior número de voluntários

Pesquisadores do CT-Vacinas, em Minas Gerais, concluíram a fase 2 dos testes clínicos de uma nova vacina brasileira contra a Covid-19, chamada SpiN-Tec, com resultados animadores. Desenvolvida em parceria com a USP, a vacina foi testada por um ano em 319 voluntários e demonstrou ser segura e eficaz contra diferentes variantes do coronavírus. Agora, os cientistas aguardam a autorização da Anvisa para iniciar a fase 3, que contará com cerca de 5 mil participantes.

 

A SpiN-Tec começou a ser criada em 2020, no início da pandemia, pela imunologista Julia Teixeira de Castro, durante seu doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). Inicialmente, Julia trabalhava em uma vacina para doença de Chagas, mas, com o avanço da Covid-19, ela redirecionou seus esforços para desenvolver um imunizante nacional capaz de oferecer proteção mesmo com o surgimento de novas variantes. A pesquisa foi conduzida sob orientação do professor Ricardo Gazzinelli, da UFMG e da Fiocruz-MG.

Ao contrário das vacinas que focam apenas na proteína spike (S), a SpiN-Tec combina partes da spike com a proteína do nucleocapsídeo (N), que é mais estável e menos afetada por mutações. O objetivo é estimular não só a produção de anticorpos, mas também a resposta imune celular, por meio dos linfócitos T — células que reconhecem e atacam vírus dentro das células do corpo.

Nos testes com animais, como camundongos e hamsters, a vacina foi capaz de proteger contra formas graves da doença causadas pelas variantes Wuhan, delta e ômicron. Os imunizados não apresentaram perda de peso, tiveram 100% de sobrevida, menor carga viral e ausência de inflamações nos pulmões.

Outro destaque da SpiN-Tec é sua viabilidade prática: a vacina tem baixo custo de produção e pode ser armazenada em geladeira comum por até dois anos, o que facilita a logística de distribuição.

O desenvolvimento da vacina foi apoiado por ferramentas de simulação digital, que ajudaram os pesquisadores a identificar as regiões das proteínas virais com maior potencial para ativar o sistema imune. Os testes em laboratório confirmaram que essas regiões foram reconhecidas por células de defesa de pessoas vacinadas ou que já tiveram a doença.

Com o avanço para a fase 3, Julia continuará acompanhando o projeto e, em seguida, deve retomar sua pesquisa original. Seu trabalho foi reconhecido com o Prêmio Teses Destaque USP 2024, na categoria Inovação.

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP