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Vacina contra a dengue pode ser adaptada contra o zika vírus

Publicado em 04 fevereiro 2016

Brasília. Concorrentes no desenvolvimento da vacina contra a dengue, o Instituto Butantan e o laboratório francês Sanofi Pasteur deverão competir também no processo de criação de uma vacina contra o zika. Os dois já consideram utilizar a tecnologia desenvolvida para o imunizante da dengue para acelerar as pesquisas do novo produto.

 

A tecnologia desenvolvida na formulação da vacina brasileira contra a dengue – que já entrou na fase final de ensaio clínico – pode ser adaptada para criar um imunizante contra o zika vírus, conforme afirmou nesta quarta o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil.

 

Segundo ele, uma das possibilidades seria inserir no vírus vacinal da dengue um gene codificador de uma proteína-chave do zika. Outra ideia seria criar um zika atenuado, usando método semelhante ao empregado no desenvolvimento da vacina da dengue.

 

O Instituto Butantan, que integra a recém-criada Rede Zika (força-tarefa apoiada pela Fapesp e formada por cerca de 40 laboratórios), também já deu início a pesquisas voltadas ao desenvolvimento de um soro que poderia ser aplicado em gestantes infectadas para combater o zika circulante no organismo antes que ele cause danos ao feto.

 

Dengue. Kalil explica que o Butantan já começou os preparativos necessários para o início da imunização dos voluntários participantes da terceira etapa de ensaios clínicos da vacina tetravalente contra a dengue, prevista para começar neste mês. “As primeiras imunizações serão feitas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e, depois, em outros 13 centros”, explica.

 

“Serão vacinados 17 mil voluntários, que serão acompanhados por até cinco anos. Mas, antes disso, possivelmente dentro de um ano, já devemos ter a resposta principal: se a vacina protege ou não contra a dengue. Esse tempo vai depender da incidência da doença nos diferentes locais onde será feito o estudo e também de nossa capacidade de imunização dos voluntários”.

 

Testes aprovados. Depois de uma análise em tempo recorde, cerca de 20 dias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização de cinco testes, de uso em laboratório, para diagnóstico de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

 

Três deles são capazes de detectar o zika. O tempo para o resultado varia dependendo do produto: de algumas horas a até três dias, segundo a Anvisa. A partir da autorização, as empresas já podem começar a vendê-los. Dos cinco testes, dois detectam dengue, zika e chikungunya. Um é só para zika, outro apenas para dengue e ainda um que diagnostica somente chikungunya.

Aportes

 

Financiamento. A OMS começou a desenhar seu plano global de resposta à epidemia e prevê que, em um prazo imediato, precisará de U$S 120 milhões. Mas já indicou que o custo do combate contra a microcefalia e o zika será de “bilhões”.

Transmissão sexual intriga cientistas

 

Genebra, Suíça. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que está “preocupada” com o registro de uma transmissão do zika vírus por relações sexuais. Nesta terça, autoridades americanas confirmaram a descoberta que um dos pacientes em Dallas, no Texas, teria “provavelmente sido infectado por contato sexual”. O paciente não viajou para regiões com o mosquito e, ainda assim, desenvolveu a doença.

 

Dois casos já haviam sido registrados antes. Em 2008, o cientista americano Brian Foy visitou uma região do Senegal afetada por zika e, ao retornar para casa, no Colorado, EUA, teria infectado sua esposa durante uma relação sexual. Outro caso aconteceu em 2014, na Polinésia Francesa, e também mostrou a contaminação por contato sexual.

 

“Precisamos de mais pesquisas para entender essa e outras possíveis formas de transmissão não relacionadas com o mosquito”, afirmou o porta-voz da OMS Gregory Hartla. Agora, um grupo de cientistas vai apurar o caso registrado nos EUA e tentar identificar como o vírus de fato trabalha.