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Vacina contra a dengue oferece proteção contra o sorotipo 3, segundo Instituto Butantan (42 notícias)

Publicado em 24 de janeiro de 2025

O Estado de São Paulo está se preparando para enfrentar um possível surto de dengue, com a produção do primeiro lote da vacina tetravalente já em andamento. O Instituto Butantan iniciou a fabricação de 1 milhão de doses, enquanto o governo paulista anunciou no dia 23 de janeiro a criação de um Centro de Operações de Emergência e a destinação de R$ 228 milhões para fortalecer as ações de combate às arboviroses, como a dengue.

Um dos principais focos de preocupação é o retorno do sorotipo 3 da dengue no Brasil, após 17 anos sem sua circulação. Esse fato pode gerar novos surtos, visto que grande parte da população não está imunizada contra essa variante. Os sorotipos 1 e 2 seguem em circulação no território nacional.

Segundo Gustavo Mendes, diretor de Assuntos Regulatórios, Qualidade e Ensaios Clínicos do Butantan, a produção do imunizante segue de forma contínua. “Iniciamos a fabricação dos insumos de cada um dos quatro sorotipos do vírus, pois são necessários para compor o produto. Antecipamos as etapas para que, assim que o registro seja obtido, possamos disponibilizar rapidamente as doses para a população”, explicou à Agência FAPESP.

O pedido de registro da vacina foi encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro, e o Instituto Butantan está otimista com a aprovação, que pode ocorrer até março.

O ensaio clínico da vacina Butantan-DV, publicado no ano passado no New England Journal of Medicine, demonstrou eficácia geral de 79,6% ao longo de dois anos de monitoramento, com destaque para 89,5% de proteção contra o DENV-1 e 69,6% contra o DENV-2. Embora tenha sido desenvolvida para combater todos os sorotipos, a pesquisa não pôde avaliar a proteção contra o DENV-3 e DENV-4, uma vez que não houve casos registrados desses tipos durante o estudo.

Mendes explicou que a equipe científica realizou testes laboratoriais e comparações entre os subtipos virais para extrapolar a eficácia observada nos tipos 1 e 2 para os sorotipos 3 e 4. “Essa extrapolação é amplamente aceita pela comunidade científica e pelas agências reguladoras, e já discutimos esses dados com a Anvisa”, afirmou.

Após a aprovação da vacina pela Anvisa, o Butantan fará uma solicitação de autorização de preço à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), e a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avaliará sua inclusão no SUS.

Caso seja aprovada, a Butantan-DV será a primeira vacina do mundo a oferecer proteção contra a dengue com uma única dose. O Instituto planeja fabricar cerca de 1 milhão de doses em 2025, com outros 100 milhões até 2027, devido à grande demanda prevista pelo Ministério da Saúde e a possível inclusão no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Mendes ressaltou que, com a Anvisa já envolvida nas discussões sobre os aspectos técnicos de produção, acredita que qualquer sugestão de aprimoramento por parte da agência não afetará o processo.