Estudo reforça que Butantan-DV protege contra diferentes genótipos do vírus e não induz mutações, confirmando segurança e robustez do imunizante
Um estudo publicado na edição de janeiro da The Lancet Regional Health – Americas confirmou que a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada pela Anvisa em novembro de 2025, reduz significativamente a carga viral em indivíduos infectados pelo vírus da dengue. Além disso, o imunizante mantém eficácia consistente contra diferentes genótipos circulantes no Brasil, um fator importante para proteção abrangente. Os pesquisadores analisaram 365 voluntários que apresentaram dengue sintomática durante o ensaio clínico de fase 3, conduzido entre 2016 e 2021 em 14 estados brasileiros. Comparando vacinados e não vacinados, a carga viral nos primeiros foi consideravelmente menor, evidenciando a capacidade da vacina em estimular a resposta imune e limitar a replicação viral. Segundo Érique Miranda, infectologista e gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Butantan, “o estudo principal da fase 3 já havia demonstrado menor incidência de dengue grave na população imunizada; essas análises reforçam a habilidade da vacina em atenuar a infecção”. A Butantan-DV foi aprovada após cinco anos de acompanhamento de 16 mil voluntários, mostrando 74,7% de eficácia geral e 91,6% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme na faixa etária de 12 a 59 anos, indicada pela Anvisa. Além da eficácia, o estudo revelou que a vacina não induz mutações no vírus, mantendo sua segurança do ponto de vista evolutivo. Sequenciamentos genéticos mostraram que não houve diferenças nas taxas de mutação entre vacinados e não vacinados, evitando a seleção de variantes mais agressivas. A pesquisa também confirmou que a Butantan-DV mantém proteção frente a diferentes linhagens dentro de cada sorotipo, incluindo o genótipo V do DENV-1 e o Cosmopolita do DENV-2, este último introduzido no país em 2021 e conhecido pela rápida disseminação e gravidade em crianças pequenas. Para o Butantan, a continuidade da vigilância genômica é fundamental. O Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS) monitora não apenas os vírus da dengue circulantes em São Paulo e países vizinhos, mas também o influenza e o SARS-CoV-2, garantindo acompanhamento de possíveis mudanças na eficácia da vacina frente a novas mutações. A Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue que pode ser aplicada em dose única, facilitando logística e ampliação da cobertura vacinal. Em dezembro de 2025, o Instituto entregou 1,3 milhão de doses ao Ministério da Saúde, destinadas inicialmente a profissionais da Atenção Primária, com expansão gradual ao público geral prevista conforme aumento da produção.